Preconceito contra as trans é tiro no pé

Preconceito é uma palavra tão repugnante quanto cansativa. Mais ainda para nós, gays, que temos que matar um leão por dia para sobreviver à selva da vida em um sociedade que não nos aceita e não nos entende.

Mas o pior mesmo é quando o preconceito parte dos próprios gays. Aí eu acho inadmissível.

Por que estou escrevendo isso? Porque esta semana eu presenciei a reação tosca de um amigo (gay!) que ficou “impressionado” ao ver as fotos que eu tenho ao lado de algumas amigas trans no meu Orkut.

- “Nossa, você tem amizade com travestis e transexuais? ” - perguntou ele com certo desdém perceptível na voz.

- “Sim, tenho sim, com muito orgulho! Algum problema?” – respondi de imediato com a voz “doce”  que eu sei usar nestas situações.

Óbvio que ele teve que ouvir muito. Caramba! Eu sempre achei que nós, homossexuais, devêssemos nos unir no que diz respeito a nossos interesses comuns. É claro que as diferenças de comportamento, de pensamentos, de níveis sociais e culturais, de hábitos e atitudes existem entre os gays como existem entre qualquer ser humano e a tendência natural é nos aproximarmos daqueles com quem nos identificamos mais. Mas daí a agir de forma preconceituosa com as trans, fazer piada, “dar coió”  e incitar ainda mais o ódio que já existe contra elas é o mesmo que dar um tiro no pé. Para não chamar de imbecilidade.

 Eu conheço muitas transexuais e adoro todas elas. São pessoas realmente maravilhosas e que têm muito a ensinar no que diz respeito a força e superação. São verdadeiros exemplos de vida.

Se você é gay e acha que sua vida às vezes é complicada, imagine a vida de uma trans ou de uma travesti. Imaginem o quão difícil é para uma trans ser aceita pela família, pelos amigos na escola, procurar um emprego, fazer coisas simples do dia a dia como ir a um banheiro público ou fazer compras no mercado. Aquelas que são completamente femininas passam bem por certas situações em público, mas aquelas que possuem traços masculinos aparentes precisam enfrentar uma verdadeira guerra cotidiana.

Uma das personagens mais significativas de Depois de Sábado à Noite é uma transexual, chamada Pandora Del Rio.  Foi a personagem que mais me emocionou para escrever e pela qual eu guardo carinho imenso. Pandora tem um segredo de passado surpreendente e uma história de vida linda, que certamente se iguala à história de muitas transexuais. É uma personagem humana, vibrante e cheia de ensinamentos que valem a pena ser conhecidos.

A visão marginalizada das trans que meu amigo tem é a mesma da maioria das pessoas de mente comum, causada pela imagem negativa das travestis que se prostituem nas ruas - que aliás, estão lá porque a sociedade não lhes dá oportunidades e as rejeita sempre. Mas é preciso saber separar o joio do trigo.

Todas as minhas amigas trans têm profissão e nenhuma delas se prostitui. São todas excelentes no que fazem e eu nunca teria vergonha de apresentá-las a ninguém. Pelo contrário, é um orgulho conhecer pessoas tão maravilhosas que ainda têm motivos para sorrir e ir à luta, mesmo quando a sociedade lhe vira as costas.

Se preconceito já é algo horrível, preconceito de gay contra gay, então, é algo detestável e hediondo. Por essas e outras que nossa sociedade caminha a passos de formiga e, muitas vezes, de caranguejo andando para trás…

Pra matar a curiosidade, aí estão algumas das fotos que citei. E no post abaixo, um trecho de uma passagem de Pandora Del Rio em Depois de Sábado à Noite.

Fabianna Brazil e Bruna Marx no Restaurante à Mineira

Fabianna Brazil, Bruna Marx e eu no Restaurante à Mineira

Eu e Roberta

Eu e Roberta

Eu e Natasha na Unidos da Tijuca

Eu e Natasha na Unidos da Tijuca

Manchas…

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“Lembro bem das manchas roxas que ficaram em meu corpo naquele dia. Minha mãe me bateu com força e eu senti muita raiva. Mais ainda por ter sido obrigada a vestir novamente o terno e descer para juntar-me aos meninos na cerimônia. Eu não conseguia entender o que havia de errado em vestir-me com roupas de menina e porque minha mãe agia daquela maneira. Só mais tarde eu fui entender que minha mãe só queria me proteger da fúria de meu pai e que, infelizmente, ela estava certa quando disse que ele era capaz de me matar…”

Pandora Del Rio, a transexual, em Depois de Sábado à Noite, de Kiko Riaze

 

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Boa leitura!

Sai o trailer do DVD da Madonna – Sticky & Sweet Tour

Taí, finalmente saiu o trailer oficial do DVD do show da Madonna para alegria das madonnetes e daqueles que - assim como eu - não são fanáticos mas acabaram não resistindo e comparecendo ao show da loira no final do ano passado aqui no Rio ou em Sampa. Teve amigo meu que assistiu ao show nas duas cidades (tá, né?). Agora é aguardar pela chegada nas lojas.

Será que vai ter o mesmo corre-corre e histeria de quando colocaram os ingressos à venda?

Eu confesso que comprei de última hora na mão de cambista, localização privilegiada e com um preço beeeeeeem menor que o oficial, já que os caras estavam desesperados para se livrarem dos muitos ingressos que iam sobrar na mão deles. =X

A questão sexual nas entrevistas de emprego

Sábado à noite em casa sem o Bruno. Não me resta muita coisa a fazer no meio da madrugada senão navegar na net. Se fosse na minha época de solteiro, a esta hora você poderia me encontrar no meio da muvuca fervida de alguma boate por aí. Confesso que às vezes sinto falta daquele “tuntitum” desvairado, mas só de imaginar toda aquela maratona desgastante de ida à boate, que inclui telefonemas, provas de roupas incansáveis na frente do espelho, deslocamento até o clube, filas na entrada, pista de dança lotada, enfrentamento de carões e tudo mais, eu já fico exausto e acabo não resistindo aos chamados dos meus lençóis. Vida de casado muda a gente mesmo, bem que mamãe dizia. Ou então é a idade chegando…Não sei…

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Enfim, nessa madruga sem o Bruno me refugiei no MSN (sou carente de atenção) e num papo super legal com uma amiga que trabalha com Recrutamento e Seleção surgiu o assunto deste tópico.

Segundo ela, é normal ver homossexuais tentando esconder sua orientação sexual nas entrevistas de emprego. Muitos entrevistadores não percebem, mas ela, que é lésbica, sabe muito bem quando alguém está tentando “fazer linha”.

Isso ocorre, obviamente, por medo de eliminação no processo seletivo causado por algum possível preconceito do entrevistador, como se a orientação sexual determinasse as competências profissionais de alguém. Nós, gays, sabemos muito bem que isso é uma injúria, mas os héteros sabem? Parece que não…

Pode parecer absurdo, mas em pleno século 21 os homossexuais ainda precisam se esconder para conseguir uma vaga de emprego. Qualquer gesto ou palavra que denuncie a orientação sexual pode ser suficiente para um candidato ser eliminado.

A Constituição Federal é clara: é proibida a diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. Porém, a lei (como sempre)  não faz menção à orientação sexual do trabalhador deixando uma brecha para que os empregadores dificultem a admissão de homossexuais.

Minha amiga me contou o caso de uma entrevista simultânea com 3 candidatos, uma mulher e dois homens. A entrevistadora percebeu que a mulher era lésbica e perguntou sobre a orientação sexual dela na frente dos outros dois candidatos e qual era a opinião dela a respeito da homossexualidade. Super constrangida, a candidata tentou desviar da pergunta e quis saber o que aquilo tinha a ver com o cargo concorrido. A entrevistadora, então, reagiu dizendo: “Você está preocupada por quê? Tem algo a esconder?”. Obviamente, a candidata respondeu, mas nem é preciso dizer que ela perdeu a vaga.

Absurdo, mas real. É por essas e outras que o gay, ou tem que viver no armário dentro da empresa, ou acaba na informalidade ou trabalhando como cabeleireiros, decoradores, profissionais da moda, promoters de festas, etc…empregos onde sua orientação sexual é bem vinda e não há preconceitos. Agora imaginem a dificuldade de um travesti ou um transexual para arrumar um emprego! Tarefa praticamente impossível. Aí, para a maioria deles, resta apenas o que todos já sabem: a prostituição…

85964Como se não bastasse a problemática da entrevista de emprego, o homossexual que consegue a vaga ainda tem que enfrentar o preconceito dentro da empresa, dos chefes e dos colegas de trabalho. Muitos não conseguem sequer uma promoção, ainda que mereçam, e acabam sendo preteridos por outro funcionário muito menos competente, porém heterossexual.

Mas é bom que estes empregadores homofóbicos abram o olho: Na 5a feira passada o TRT de São Paulo determinou que as Casas Pernambucanas pagasse uma indenização de mais de R$ 23 mil para um funcionário gay que era alvo de discriminação. Leia a matéria aqui. 

De qualquer forma, aí vai um conselho dado pela minha amiga profissional de RH: numa entrevista de emprego, a melhor atitude a adotar diante de uma pergunta invasiva ou desnecessária (seja pessoal, religiosa ou sexual) para avaliar suas habilidades é a tática do “espelho burro”, que é devolver a questão, de forma educada e simpática. Pode ser uma estratégia. Mas é preciso estar preparado para a reação do entrevistador.

E lembre-se: Homofobia ainda não é crime no Brasil, mas Danos Morais, sim.

E vocês, leitores do blog, assumiriam sua sexualidade caso fossem questionados numa entrevista de emprego?

Aproveitando a brecha, você já assinou o manifesto pela lei que criminaliza a homofobia? Se não, assine clicando aqui.

Sexo gay não é mais crime na Índia

indian lesbianO mapa do preconceito que eu apresentei há alguns meses atrás no post Homofobia Mundo Afora  teve ontem um ligeira, mas importantíssima alteração:  A Alta Corte da capital da Índia, Nova Déli, finalmente reverteu uma  lei de 148 anos que qualificava o sexo gay como “um atentado contra a natureza”. A corte considerou a lei discriminatória e uma “violação dos direitos fundamentais”.

Antes de ser derrubada, esta ultrapassada e homofóbica lei previa multa ou punição de até dez anos de cadeia para quem praticava relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.

Defensores dos direitos dos gays em todo o país saudaram a decisão do tribunal em Déli e disseram que este é o “Stonewall da Índia”, em uma referência à rebelião provocada por uma batida policial em 1969, no bar gay Stonewall, em Nova York, que marcou o lançamento do movimento pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos e no mundo.

A decisão está sendo vista pelos militantes como um grande passo no combate à Aids no país. “Agora homens gays podem ir ao médico e falar sobre os problemas deles”, disse Ashok Row Kavi, ativista e editor da primeira revista para gays da Índia.

E enquanto isso no Brasil…

A procuradoria geral da República ajuizou ontem no Supremo Tribunal Federal uma ação para o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo e dos mesmos direitos e deveres dos companheiros em união estável.

“O indíviduo heterossexual tem plena condição de formar a sua família. Pode não apenas se casar, mas constituir união estável, sob a proteção do Estado. Porém, ao homossexual, esta possibilidade é negada sem qualquer justificativa aceitável”, diz a Procuradora Geral em exercício, Deborah Duprat.

Tá bem, não vai ser fácil. Logo, logo, nossa principal inimiga, a FPE (Frente Parlamentar Evangélica) – sim, isto existe! – vai começar a  se mover para embarreirar esta ação e dificultar a nossa vida, que é o que eles fazem de melhor. Mas não devemos desistir. Se os militantes da Índia atropelaram um sistema totalmente conservador, por que nós não podemos?

Who’s bad?

“O que está acontecendo com o mundo hoje após a morte de Michael Jackson já mostra quem ele era.”

michaeljacksondancingdreamEsta foi mais ou menos a frase que ouvi do ator Murilo Rosa ontem na tv. Acho que essas palavras resumem tudo. Michael foi o artista pop do século. Ele era completo: cantor, dançarino, compositor, produtor…

Fez parte da minha infância . Eu ficava vidrado na frente da tv quando passava o clip de Thriller. Na minha casa tínhamos todos os seus discos de vinil e eu adorava ver meu irmão do meio fazendo os passos do moonwalker com sapatilhas e meias iguais as dele ao som de Bad.

 Escândalos a parte, que nunca saberemos até que ponto eram verdadeiros, a trajetória artística e humanista de Michel e toda sua obra são inegavelmente marcantes e nunca serão esquecidas.

Após a sua morte, o cantor Will.I.am disse :”Eu não ficaria surpreso se a terra parasse de girar amanhã”. Claro que tem um grande tom de exagero nisso, mas a comoção que tomou conta do mundo tem razão de ser. 

Michael abriu nossos olhos para este monte de regras e costumes tolos a que estamos presos e não queremos ver. Agora, estamos enxergando nossa verdadeira condição humana, que inclui  glória e dor, fama e solidão e, por isso, estamos chocados.

Michael Jackson subvertia todas as convenções. Viveu de maneira dolorosamente lúdica mas, de certa forma, inspiradora.

Foi um grande privilégio para todos nós vivermos em sua época. Que tiremos bom proveito disso e também, todas as gerações que virão.

Assim como Peter Pan, Michael não envelheceu. Eis o seu legado :”Neverland é um lugar na mente”.

Viva Michael!

O sofrimento de um gay cristão

INQUISIÇÃOFalar de religião nunca é fácil. É um assunto muito, muito, muito delicado e que mexe com os sentimentos, as crenças, os pensamentos, e mais uma série de questões existenciais. Não me arrisco muito a fazê-lo pois minha filosofia e minhas idéias diferentes da maioria dos ocidentais sempre acabam causando certos desconfortos em algumas pessoas menos flexíveis.

Mas há momentos em que é preciso deixar de fazer a linha blasé para tomar algum partido, senão as coisas continuam do jeito que estão.

Recebi um e-mail de um cristão, que conseguiu meu endereço eletrônico aqui no blog, e que me deixou bastante comovido. Leiam um trecho:

Oi Kiko,

Vi teu perfil no orkut e acessei teu Blog. Li as materias postadas e achei muito interessante.

Bom, sou nascido numa familia cristã tradicional, protestante, desde novo sempre fui da igreja, fiz inclusive seminario teologico. Mas desde criança sinto atração por homens, e isso sempre foi um peso muito grande pra mim, pelo fato de nunca ter podido falar nada disso com alguem e pelo fato da minha fé cristã também. Sinto muito desejo de poder abraçar outro cara, senti-lo, entende? Mas não concordo com a atitude de criticar a igreja.

Eu creio na Biblia e temo a Deus. Mas também tenho muita clareza quanto ao que sinto, que é muito real. Minha familia, ninguem, sabe que sinto esse tipo de atração. Nem sei qual a reação que eles teriam. Nem quero saber.

Tenho 33 anos e já pensei muitas vezes em me casar, mas hoje não penso mais porque não acho justo me casar com uma mulher e no fundo não desejá-la, mas sim a homens; e isso seria mais do que traição, seria canalhice. Não faria isso jamais com uma mulher.

Na verdade não sei porque estou te falando tudo isso, mas acho que é pelo fato de não ter ninguém pra desabafar.Se possivel, gostaria que comentasse sobre o que te falo aqui.

E isso é bem sufocante. Não é facil guardar algo tão forte.”

Fiquei surpreso, triste e revoltado com este e-mail…Daí pensei: Quantos e quantos milhares de gays cristãos não passam pelo mesmo sofrimento deste pobre homem?

Eu não sou cristão e não nasci num lar religioso. Entretanto, tive uma educação maravilhosa. Meu lar sempre foi harmonioso e todos sempre se respeitaram. Hoje sou plenamente satisfeito com minha vida e muito bem resolvido em relação à minha sexualidade. Toda minha família sabe da minha orientação sexual e me apoia sem problemas, inclusive, participam da minha vida.

Talvez, seu eu tivesse nascido num lar cristão, tudo seria diferente. Talvez eu não estivesse aqui hoje mostrando minha cara e fazendo os trabalhos que faço. Talvez estivesse escondido e reprimido como muitos porque eu seria considerado uma aberração diante da minha fé. Teria problemas com a família, com a igreja (sim, com letra minúscula mesmo) e problemas comigo mesmo.

Não deve ser fácil ser renegado pela sua própria fé. É inadimissível que uma instituição que diz pregar o amor e a compaixão seja a principal causadora do sofrimento de milhares e milhares de pessoas e dissemine o preconceito e a intolerância ao longo dos séculos. Pois é exatamente isto que a igreja vem fazendo. A História não deixa mentir.

Mas não quero ofender a fé de ninguém, é apenas um desabafo solidário com este rapaz que me escreveu o e-mail e com todos os outros que passam pelo mesmo problema, presos a uma religião intolerante, frustrados, infelizes ou sendo obrigados a viver uma vida dupla.

Já exstem por aí igrejas cristãs inclusivas que aceitam fiéis gays. Pode ser interessante para quem sente a necessidade  de algum tipo de apoio em grupo, entretanto, não é bom se iludir: A instituição-mor continua e continuará com suas convicções ultrapassadas, preconceituosas e homofóbicas.

Quentin_EliasVide as palavras do papa contra os gays no final do ano passado, a oposição da bancada evangélica contra os projetos de lei que beneficiam os homossexuais, a passeata de desocupados fanáticos que invadiu os jardins do Planalto para protestar contra a PLC22, as igrejas cristãs que exorcizam homossexuais e dizem que isto é coisa do demônio, os pais que expulsam filhos de casa e por aí vai…

Lamentável.

 No final do e-mail, o rapaz escreveu assim:

Eu creio em Deus. E queria muito poder continuar servindo Ele, mas o que fazer quando tenho que, ou me ocultar ou então cair fora da igreja? “

Isso só ele pode decidir…Só espero que ele faça a escolha certa.

Minha coluna na revista A CAPA # 23

acapaOlá pessoal, este mês eu sou o colunista convidado da revista A CAPA e, como sempre, lanço um olhar sobre o comportamento homossexual, desta vez abordando um tema bastante recorrente na imaginação dos gays: o “macho ideal”.

O texto “A Utopia do Macho Ideal” está nas páginas 32 e 33 da revista que já está em circulação desde a semana passada em casas noturnas, bares, restaurantes e saunas GLS de São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Curitiba e Belo Horizonte. Aqui no Rio a revista circula até na faixa de areia da Farme de Amoedo.

Não deixem de ler. Tenho certeza de que vão se identificar ou identificar algum amigo nas linhas da coluna. Depois não esqueçam de comentar aqui.

Aproveitando o assunto, que tal votar na enquete?

 

Aqueles corpos…

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“A noite de sábado havia sido intensa. E o dia de domingo também. Mas aqueles corpos, aqueles abraços suados, aquelas mãos ousadas e aqueles incontáveis beijos calorosos não estavam mais ali para fazer-lhe companhia. A sensação de ser amado e desejado fora momentânea e não existia mais…”

Trecho de Depois de Sábado à Noite,  de Kiko Riaze

 

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Boa leitura!

Parada Gay [Off]

Pride kiko riaze 

Assunto do momento: 13a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Estimativa: 3 a 4 milhões de pessoas.

Os numeros falam por si, as matérias nos jornais e revistas especializados falam por si, os milhares de posts em blogs do Brasil e do mundo também falam por si…

Por isso resolvi não me estender neste assunto. Não quero falar sobre política nem vou fazer militância; não vou dar dicas sobre as melhores baladas do final de semana, nem vou criticar aqueles que só querem ferveção e não dão a mínima para o verdadeiro significado da Parada;  não tô nem um pouco a fim de falar sobre preconceito, nem vou falar mal dos religiosos fanáticos de plantão e dos homofóbicos…Tudo isso, com certeza, já foi muito bem feito por alguém.

Mas como este é um blog gay, não podia deixar a semana da maior Parada Gay do mundo passar em branco. Já bastam as muitas semanas de ausência…Mas eu já expliquei: preciso de, no mínimo, mais umas 12 horas no meu dia pra dar conta de tudo que eu preciso e gosto de fazer.  

Bem, quero apenas deixar um post simbólico, usando umas fotos super bacanas de um ensaio da revista MC Magazine. Vale lembrar que a revista MC Magazine  não é uma revista gay , o que, ao meu ver,  acaba complementando a intenção artística, que nada mais é do que tratar o assunto com naturalidade. E é assim que deveria ser sempre, sem espanto ou vergonha.

Ser gay ou hétero é questão de Natureza. Todo este movimento rainbown é apenas uma afirmação de identidade e uma luta por direitos iguais. Nada mais justo, afinal, somos seres humanos como quaisquer outros. Simples assim.

Free your mind.

 

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A suposta fidelidade lésbica

Esta semana eu estava percorrendo a coluna que o meu amigo Paulo Neto escreve para a Drops Magazine, quando me deparei com uma postagem a respeito do curta Lésbicas Fiéis, de Rick Mastro, que está em fase de pré-produção e que vai integrar o projeto Fucking Different São Paulo – um longa metragem que deverá estar no Festival Mix Brasil deste ano e provavelmente viajará o mundo em outros festivais.

Segundo a coluna do Paulo, que também está colaborando na produção, o curta fala sobre relacionamentos duradouros entre as mulheres e aborda, entre outras, as seguintes questões:

O que faz a monogamia ser tão mais vivida pelas mulheres que pelos homens?

Por quê os amores entre mulheres são tão mais exclusivos e longínquos?lesbian_kiss

Logicamente, essas perguntas me fizeram pensar a respeito. A principio eu concordei com as afirmativas embutidas nas perguntas sem pestanejar. Afinal, sabemos que as mulheres pensam mais com o coração, são mais românticas, etc…Por isso eu pensei: Sim, as mulheres são mais fieis. Sim, os relacionamentos lésbicos duram mais.

Mas parando um pouco para analisar – e tirando como exemplo algumas lésbicas que eu conheço –  eu comecei a refletir até que ponto isto é realmente verdadeiro e faz parte da Natureza feminina e até que ponto isto é apenas um reflexo cultural.

Estou dizendo isso porque, como estamos cansados de saber, o mundo é machista. Em muitas sociedades, as mulheres ainda são educadas unicamente para servir aos homens, para casar, terem filhos e serem donas-de-casa. Nas relações, os homens que traem são garanhões, as mulheres que traem são vagabundas. Então às vezes eu penso que muitas mulheres não traem por medo de agressão do marido, por medo do que a sociedade vai pensar delas, por causa dos filhos, da família, etc, etc e não apenas por fidelidade.  Concordam?

Com as lésbicas, essa coisa de estar sempre preparada para casar não poderia ser diferente, afinal, elas também são mulheres acima de tudo e são criadas como tal, com todas as regras convencionais da nossa sociedade machista. E talvez por isso seus relacionamentos sejam mais duradouros.

Além disso ainda há o impulso sexual que entre as mulheres não é tão intenso quanto nos homens. O desejo sexual masculino se estimula mais pelos órgãos dos sentidos do que pelos sentimentos, como é o caso das mulheres. Para a sexualidade masculina é muito importante a visão, o tato, olfato. Talvez por causa da necessidade desses estímulos, o homem sente mais cobiça sexual que as mulheres, portanto, buscam mais novidades sexuais.

Está bem, muitos vão dizer que eu estou sendo machista (logo eu!) e estou viajando numa justificativa para a fidelidade feminina, a fim de defender os homens e suas puladas de cerca.

Pode até ser, mas o fato é que eu já conheci muitas lésbicas e posso dizer que elas não são assim, tão fiéis não!

É verdade que os relacionamentos delas normalmente são mais duradouros do que os relacionamentos gays, mas elas também traem, e muito. Já ouvi histórias de traições de lésbicas que deixariam muito gay de queixo caído. Também já conheci muitas lésbicas fervidas que não queriam nada além de curtição.

Por outro lado, eu conheço muitos casais gays que estão juntos há muito tempo e afirmam nunca terem traído. E outros tantos amigos gays que estão loucos para conhecer alguém para casar.

Óbvio, que cada caso é um caso, não dá pra generalizar… De qualquer forma, ficam aí as questões.

Nick de Pegação determina caráter de alguém?

Antes de começar a escrever este post eu percorri algumas famosas salas de bate papo gay da internet a fim de selecionar alguns nicks para ilustrar melhor o texto.

Vejamos alguns exemplos:

LEKE BOMBADAO 23CM

EduComTesao

MLKDotadopassivo

POLICIAL Puto SP 26a

PICÃO NA CAM-AGORA

BrowPunheteiro

MachoGulosoCAM

E por aí vai…Já passava de meia noite, era véspera do feriado de Tiradentes e a sala estava super lotada. Bombando mesmo. A maioria dos participantes mostrava nitidamente o desespero para encontrar um parceiro (ou dois, ou três, ou mais) para um fast sex sem compromisso naquela noite. Muitos provavelmente conseguiriam. Não seria tarefa tão difícil, pois a variedade de carnes virtuais expostas naquele açougue era enorme.

Mas vamos ao ponto: Vamos supor que você fosse um dos participantes daquela sala e resolvesse marcar um encontro com o MachoGulosoCAM, por exemplo. Depois de teclar no msn, vocês já iriam para o encontro sabendo exatamente o que ia rolar e como ia rolar, quem seria o ativo, quem seria o passivo e tudo o mais. Transariam loucamente, o tesão seria extravasado e, no final, o improvável acontecesse: uma estranha afinidade surgisse entre os dois. Algo como paixão à primeira vista (ou à primeira transa) e o cara do nick vulgar desse a entender que estava a fim de algo mais com você…

Eis a questão: Você namoraria um cara que conheceu na sala de bate papo com o nick MachoGulosoCAM?

chat

Eu fiz esta mesma pergunta para um monte de gente que usa o bate-papo com frequência e a resposta quase unânime foi: NÃO!

Os motivos foram quase os mesmos. Uns disseram que não confiariam em um cara que passava o tempo se masturbando na webcam. Outros disseram que este não é o tipo de cara para namorar. Outros falaram que teriam vergonha de contar para os amigos a maneira “promíscua” como ambos se conheceram, etc…

Daí eu fiquei refletindo sobre o quanto é fácil fazer julgamentos e jogar pedra no telhado dos outros. Será que um nick vulgar realmente determina o caráter de uma pessoa?

É lógico que há muitos caras que entram no chat apenas em busca de sexo. Mas existem outros que gostariam, sim, de ter um relacionamento legal, se envolver com alguém, criar vínculos, se apaixonar… Pode ser que eles não revelem isto ali, na sala de bate-papo, onde o instinto sexual fala mais alto e as fantasias são liberadas. Mas num segundo momento este sentimento pode aflorar, por que não?

Estar escondido atrás de um nick vulgar, na minha opinião, não é uma vergonha. Todo mundo tem suas fantasias, seus momentos de libido à flor da pele, de vontade de extravasar, de se permitir fazer e dizer coisas que normalmente são anuladas no dia a dia.

Eu acho absolutamente normal e saudável. Melhor liberar a testosterona quando dá vontade do que ficar se frustrando.

Tem gente que gosta de se masturbar vendo filmes pornôs, vendo fotos em revistas. Tem gente que gosta de gozar falando ao telefone, tem gente que prefere a masturbação solitária do banheiro de casa, ou a masturbação comunitária de uma sauna ou de um banheirão público. Tem gente que gosta de ler contos eróticos, tem gente que gosta de se exibir na web cam… Tudo isso é sexo, é fantasia… Tudo isso é humano.

Aos olhos de alguns isto é feio e digno de reprovação, pois para mim esse conservadorismo não passa de hipocrisia. É o que acontece com algumas dessas pessoas com as quais eu conversei. Algumas delas confessaram fazer pegação em cinema de filme pornô, em sauna, etc…Mas disseram nunca ter coragem de namorar alguém que já tenha feito o mesmo…Tem coerência? Eu acho que não…

Ninguém é santo. Todo mundo dá uma escorregada… Nada mais natural. Mas será que é justo rotular alguém por isso? Uma pessoa que em algum momento de sua vida decidiu viver suas aventuras sexuais merece descrédito?

Para mim, sexo é sexo e não determina caráter de ninguém.

E vocês, o que acham disso? Namorariam alguém que conheceram em pleno local de pegação? Teriam coragem de contar aos seus amigos onde foi que se conheceram ? Ou esconderiam isso para sempre?

Aguardo os coments…