Preconceito é uma palavra tão repugnante quanto cansativa. Mais ainda para nós, gays, que temos que matar um leão por dia para sobreviver à selva da vida em um sociedade que não nos aceita e não nos entende.
Mas o pior mesmo é quando o preconceito parte dos próprios gays. Aí eu acho inadmissível.
Por que estou escrevendo isso? Porque esta semana eu presenciei a reação tosca de um amigo (gay!) que ficou “impressionado” ao ver as fotos que eu tenho ao lado de algumas amigas trans no meu Orkut.
- “Nossa, você tem amizade com travestis e transexuais? ” - perguntou ele com certo desdém perceptível na voz.
- “Sim, tenho sim, com muito orgulho! Algum problema?” – respondi de imediato com a voz “doce” que eu sei usar nestas situações.
Óbvio que ele teve que ouvir muito. Caramba! Eu sempre achei que nós, homossexuais, devêssemos nos unir no que diz respeito a nossos interesses comuns. É claro que as diferenças de comportamento, de pensamentos, de níveis sociais e culturais, de hábitos e atitudes existem entre os gays como existem entre qualquer ser humano e a tendência natural é nos aproximarmos daqueles com quem nos identificamos mais. Mas daí a agir de forma preconceituosa com as trans, fazer piada, “dar coió” e incitar ainda mais o ódio que já existe contra elas é o mesmo que dar um tiro no pé. Para não chamar de imbecilidade.
Eu conheço muitas transexuais e adoro todas elas. São pessoas realmente maravilhosas e que têm muito a ensinar no que diz respeito a força e superação. São verdadeiros exemplos de vida.
Se você é gay e acha que sua vida às vezes é complicada, imagine a vida de uma trans ou de uma travesti. Imaginem o quão difícil é para uma trans ser aceita pela família, pelos amigos na escola, procurar um emprego, fazer coisas simples do dia a dia como ir a um banheiro público ou fazer compras no mercado. Aquelas que são completamente femininas passam bem por certas situações em público, mas aquelas que possuem traços masculinos aparentes precisam enfrentar uma verdadeira guerra cotidiana.
Uma das personagens mais significativas de Depois de Sábado à Noite é uma transexual, chamada Pandora Del Rio. Foi a personagem que mais me emocionou para escrever e pela qual eu guardo carinho imenso. Pandora tem um segredo de passado surpreendente e uma história de vida linda, que certamente se iguala à história de muitas transexuais. É uma personagem humana, vibrante e cheia de ensinamentos que valem a pena ser conhecidos.
A visão marginalizada das trans que meu amigo tem é a mesma da maioria das pessoas de mente comum, causada pela imagem negativa das travestis que se prostituem nas ruas - que aliás, estão lá porque a sociedade não lhes dá oportunidades e as rejeita sempre. Mas é preciso saber separar o joio do trigo.
Todas as minhas amigas trans têm profissão e nenhuma delas se prostitui. São todas excelentes no que fazem e eu nunca teria vergonha de apresentá-las a ninguém. Pelo contrário, é um orgulho conhecer pessoas tão maravilhosas que ainda têm motivos para sorrir e ir à luta, mesmo quando a sociedade lhe vira as costas.
Se preconceito já é algo horrível, preconceito de gay contra gay, então, é algo detestável e hediondo. Por essas e outras que nossa sociedade caminha a passos de formiga e, muitas vezes, de caranguejo andando para trás…
Pra matar a curiosidade, aí estão algumas das fotos que citei. E no post abaixo, um trecho de uma passagem de Pandora Del Rio em Depois de Sábado à Noite.

Fabianna Brazil, Bruna Marx e eu no Restaurante à Mineira

Eu e Roberta

Eu e Natasha na Unidos da Tijuca
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Como se não bastasse a problemática da entrevista de emprego, o homossexual que consegue a vaga ainda tem que enfrentar o preconceito dentro da empresa, dos chefes e dos colegas de trabalho. Muitos não conseguem sequer uma promoção, ainda que mereçam, e acabam sendo preteridos por outro funcionário muito menos competente, porém heterossexual.
Esta foi mais ou menos a frase que ouvi do ator Murilo Rosa ontem na tv. Acho que essas palavras resumem tudo. Michael foi o artista pop do século. Ele era completo: cantor, dançarino, compositor, produtor…
Falar de religião nunca é fácil. É um assunto muito, muito, muito delicado e que mexe com os sentimentos, as crenças, os pensamentos, e mais uma série de questões existenciais. Não me arrisco muito a fazê-lo pois minha filosofia e minhas idéias diferentes da maioria dos ocidentais sempre acabam causando certos desconfortos em algumas pessoas menos flexíveis.
Vide as palavras do papa contra os gays no final do ano passado, a oposição da bancada evangélica contra os projetos de lei que beneficiam os homossexuais, a passeata de desocupados fanáticos que invadiu os jardins do Planalto para protestar contra a PLC22, as igrejas cristãs que exorcizam homossexuais e dizem que isto é coisa do demônio, os pais que expulsam filhos de casa e por aí vai…
Olá pessoal, este mês eu sou o colunista convidado da revista A CAPA e, como sempre, lanço um olhar sobre o comportamento homossexual, desta vez abordando um tema bastante recorrente na imaginação dos gays: o “macho ideal”.
Quer mais informações sobre o livro?






