Criminalização da Homofobia: fraude na enquete do Senado e aprovação

Quem está na minha lista de e-mails certamente recebeu na semana passada uma mensagem que eu transmiti com um link de uma enquete criada pelo site oficial do Senado Federal para saber a opinião pública brasileira sobre a criminalização da homofobia.

Neste mesmo e-mail eu alertei para o fato de estarmos perdendo por uma margem absurdamente alta e pedi para os amigos repassarem a informação adiante a fim de formarmos uma corrente de votações para mudar o quadro, que estava bem crítico para o nosso lado: eram milhares de votos contra nós. Algo assustador e até mesmo desanimador, pois deixava bem claro o tamanho do preconceito existente na nossa sociedade.

Pois bem, ontem, dia 09, a enquete foi subitamente tirada do ar. Motivo? A votação havia sido hackeada. Aberta no dia 04 de novembro, a enquete perguntava: “”Você é a favor da aprovação do Projeto de Lei (PLC 122/2006) que pune a discriminação contra homossexuais?”. Nos primeiros 90 minutos de funcionamento foram contabilizados 250 mil votos, a maioria esmagadora de votos NÃO. Que coisa, né?

Não duvido nada que a fraude tenha sido operada por pessoas surtadas que gastam seu precioso tempo tentando, muitas vezes com êxito, embarreirar tudo que venha em benefício dos LGBT’s, que nada mais são do que os nossos direitos como cidadãos…

 Mas enfim, mesmo com este jogo sujo bem típico dos nossos adversários, conseguimos dar um passo a frente no que diz respeito à nossa luta.

 O Projeto de Lei 122/2006 que criminaliza atos discriminatórios contra homossexuais, deficientes físicos e idosos foi aprovado nesta terça-feira, dia 10, em uma comissão da Câmara dos Deputados. O polêmico projeto, como sabemos, encontra grande resistência dos setores da Câmara ligados aos evangélicos.

A proposta agora volta à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH). Caso aprovado, o projeto retornará à Câmara dos Deputados uma vez que foi modificado pelos senadores, mas provavelmente só deverá ser votado em 2010.

Enquanto isso, vamos fazendo nossa parte. Entrem no site do Senado e votem na enquete que já voltou ao ar e diga SIM ao projeto de lei que pune os crimes de ódio contra homossexuais.

Entre na página da Agência Senado:  http://www.senado.gov.br/agencia/default.aspx?mob=0

Baixe a barra de rolagem um pouquinho. Do lado direito da tela você encontrará a enquete.

Dê um clique a favor da cidadania LGBT!

OgAAALxA-fxReAeUFcbtU-b7Y5bgDDW1BZF6cFEmja58XJml7pDlZGmscON5jm_TuriM-AWUZP5ihWYNfQFd8yshg0gAm1T1UM4mzCzadobBbiOWORBJBpcgSTQt

Rapidinha: Drag Dillah Dilluz lança CD esta semana

dilla dilluz

O ator Edivaldo Barreto, que dá vida à drag queen DILLAH DILLUZ, vai lançar seu primeiro CD independente TRAVILEIRINHO, dia 13 de novembro, a partir das 20 h, na Associação Casarão Brasil em São Paulo. O show é aberto ao público que pode levar 1 quilo de alimento não perecível para a Associação Aliança pela Vida, que presta apoio às pessoas com HIV/Aids. Bacana, né?

E sabe quem foi convidado para fazer a abertura do CD? Meu amigo escritor e psicólogo Fabrício Viana, conhecido pelo seu livro O Armário. Coisa phina!

Segue o serviço: Lançamento do CD Travileirinho

Dia 13/11/09 a partir das 20h no Casarão Brasil

Endereço: Rua Gay Caneca, ops, Frei Caneca 1057, Consolação, São Paulo Tel: 3171-3739

Relacionamentos gays duram menos, mas são mais autênticos

Existe uma idéia formada de que os relacionamentos gays duram menos tempo do que os relacionamentos heterossexuais. Embora existam muitos exemplos que poderiam servir para provar o contrário, no geral isso é verdade, sim. Mas nem sempre isso se dá pelo motivo que as pessoas associam que é a promiscuidade e a não disposição para assumir uma relação amorosa séria  e monogâmica.

casal gayHá um outro ponto que ninguém analisa, mas sobre o qual eu venho refletindo desde que um casal de amigos gays resolveu romper a relação há uns dias atrás: a autenticidade presente no diálogo de um casal gay.

Esse pensamento se consolidou quando vi uns amigos héteros do trabalho combinando de irem para a “casinha” depois do expediente. Para quem não sabe, “casinha” é um eufemismo criado pelos homens para o tão bem conhecido “puteiro”. Deste grupo, 90% dos rapazes eram casados e com filhos.

Sem eu perguntar nada, um deles veio falar comigo, dando a desculpa de que frequentava a “casinha”  porque realizava com a prostituta certas posições que a esposa talvez nunca aceitasse fazer. Em casa, a esposa só fazia o básico papai-mamãe. Fiquei pasmo quando ele me contou que a tal posição que a esposa  talvez nunca fizesse era um simples e básico 69.  Chocado, eu perguntei quanto tempo eles estavam juntos e me assutei pela segunda vez. Eles estavam juntos há 11 anos! Onze anos e não faziam nem um 69!

E tudo isso simplesmente porque não havia diálogo para expor as fantasias e desejos, por medo de ultrapassar a  linha demarcada pelas convenções heterossexuais da sociedade. Eles tinham um relacionamento duradouro, é verdade, mas era morno, mascarado, incompleto e não tão feliz. Essa é a grande diferença entre os relacionamentos héteros e  gays.

Os relacionamentos gays têm um diálogo mais aberto, mais franco e livre de preconceitos. A chamada liberdade gay não permite certas frustrações, pois já bastam as limitações do dia a dia. Os gays em sua maioria não têm medo de expor seus desejos, pois não estão presos à essas regras conjugais ultrapassadas.  O objetivo maior de um homossexual que mergulha numa relação é estar realizado sexualmente e afetivamente. Só uma coisa ou outra não sustenta por muito tempo um relacionamento gay.

Meus amigos chegaram a esta conclusão. Conversaram como adultos e terminaram o romance que não tinha completado nem 1 ano. Separaram-se civilizadamente e estão muito bem. Não fizeram isso para cair na promiscuidade como se imagina. Estão apenas curtindo um estado de liberdade que parece mais justo e mais sincero que o anterior. E mesmo que quisessem cair na gandaia, qual o problema? Estão solteiros, agora e podem fazer isso à vontade. Diferente do meu colega de trabalho heterossexual que vive um relacionamento estável e aparentemente perfeito para os padrões sociais, porém cheio de problemas, omissões e desejos não vivenciados.

Chegando a esta conclusão, eu me dei conta de que os relacionamentos gays normalmente duram pouco sim, mas é melhor uma separação prematura do que uma vida inteira de farsa, hipocrisia, mentiras e sexo ruim.

casal gay praia

Buda e Jesus vão à praia gay

Namastê.

Já pensou no que você faria se visse Buda ou Jesus desfilando no point gay da Praia de Ipanema ou em qualquer outra praia em pleno verão?

Não? Pois então comece a pensar. A coleção de lançamento da grife de underwear para o público gay masculino Piss & Vinegar promete causar bastante polêmica na próxima estação, principalmente entre os mais conservadores. É que o estilista Jason Shuterland resolveu usar as imagens de Jesus e Buda para inspirar a primeira campanha de sua nova marca.

Entrei no site oficial da grife para ver a famigerada coleção, mas a página ainda está em construção e, por enquanto,  não há fotos disponíveis das sungas. Entretanto, quem acessar o site vai dar de cara com essas fotos aí de baixo que por si só já são capazes de causar bastante furor.

É óbvio que há uma intenção clara de polemizar para divulgar a marca e que muita gente vai se sentir incomodada ou ofendida ao ver tais imagens. Mas vamos combinar…Não ia ser nada mau ver um Buda ou um Jesus saindo do mar num corpão bronzeado desses aí, não é verdade? 

Acho até que seria uma “benção”.

jbjp2

Nobody’s Innocent

Reead

Reead

Dêem só um olhada nos vídeos abaixo. Ambos são clipes de singles do primeiro álbum do Reead, um cantor (gato) de 27 anos, nascido na Argélia e criado em Londres e Paris. Fã assumido de Madonna e Linkin Park, Reead tem produzido um trabalho descolado, moderninho e bem…gay! nobody's innocent

No clipe da música Nobody’s Innocent, uma mulher bem vestida e aparentemente comportada, solta os cabelos, se livra dos óculos escuros, do lenço no pescoço e sai às ruas toda rebolativa à caça de…homens! A mona faminta ataca todos os bofes (lindos!) que encontra pelo caminho, até mesmo aqueles que estão acompanhados e não perdoa nem mesmo um casal de gays que está se beijando apaixonadamente na beira de um cais. No final do clipe ainda rola um beijo gay entre Reead e um modelo e um textinho bem sugestivo: ”Todo mundo tem um segredo. Viva cada noite como se fosse a última e foda-se o resto”… Bafo né? Vale a pena dar uma conferida:

Outro clipe bem polêmico é o da música Baby. Neste aqui um sarado desce do carro no bairro de Chinatown, em Paris e anda pelas ruas totalmente pelado carregando um som . Mais a frente ele se junta a outro bofe peladão que pega o som da mão dele e segue sozinho até encontrar um terceiro que vai caminhando pelo bairro até que, no final do clipe, resolve entrar do jeito que veio ao mundo numa igreja (!).

Se Reead é gay ou não, isso realmente eu não sei, tampouco importa, mas se sua carreira se firmar e continuar por estes rumos, muito em breve ele vai se tornar queridinho dos gays e não vai fazer nada feio diante das igualmente polêmicas Britney, Lady Gaga e a eterna professora Madonna.

Armário, política e religião…A sempre polêmica voz de Sérgio Viula

Se eu tivesse o hábito de ler as mensagens que me chegam na caixa de e-mail do Orkut, certamente já teria feito este post há algum tempo atrás.  Hoje, por acaso, percebi que a bendita caixa estava absurdamente cheia e resolvi acessá-la para fazer a limpeza, quando vi que havia uma mensagem do meu querido Sérgio Viula convidando-me para ler uma entrevista que ele concedeu ao site da revista A Capa há 2 meses atrás.  Apesar do atraso considerável, não pensei duas vezes antes de abrí-la. Qualquer entrevista concedida pelo Sérgio é garantia de polêmica e, acima de tudo, de grande aprendizado.  Parei o que estava fazendo e corri para ler. Para minha surpresa me deparei com uma entrevista elaborada pelo Márcio Retamero, que é pastor de uma igreja protestante inclusiva e  gay assumido. Ou seja, uma insólita entrevista entre um crente e um ateu, um pastor e um ex-pastor, ambos gays (!). 

BibliaViula, para quem ainda não sabe, é o ex-pastor que há alguns anos atrás deu uma entrevista bafônica para a Revista Época contando todos os podres do grupo evangélico MOSES que dizia curar homossexuais. Depois disso, Viula se desligou da igreja e se tornou ateu. Esta entrevista, inclusive, também está aqui no meu blog, caso queiram conferir.

Como o assunto homossexualidade X religião é sempre pertinente, e eu recebo muitos e-mails de leitores gays relacionados ao tema, resolvi transpor para cá alguns trechos interessantes da entrevista mais recente na qual, além de religião, Viula também fala da saída do armário e de política. Vale a pena conferir:

A Capa – Você foi um dos fundadores do MOSES [Movimento pela Sexualidade Sadia] que prega a conversão de homossexuais em heterossexuais. Como foi o processo até você entender que essa conversão é uma falácia?
Sérgio
– Diversas coisas aconteceram para que eu pudesse despertar do sono dogmático em que me encontrava. Primeiro, fui percebendo eu mesmo – a despeito de toda fé e dedicação – não experimentara nenhuma mudança real. Depois, passei a prestar atenção à vida das inúmeras pessoas que nos procuravam e passavam pelos aconselhamentos, retiros, orações etc. Nenhuma delas havia mudado de fato. Só sabiam sofrer com a tensão entre o que diziam os fundamentalistas cristãos e o que desejavam de coração. Várias pessoas se envolveram com pessoas que estavam no MOSES. Várias vezes presenciei confrontações entre a liderança do MOSES e gente que havia transado com amigos conhecidos no ministério. Além daqueles que transavam fora e traziam suas histórias aos prantos para as sessões de aconselhamento.

A Capa – Sair do armário é um duro processo! O título do seu blog é “Fora do Armário” diz muito sobre a sua atual condição existencial. Como foi esse processo de sair do armário para você e para a sua família?
Sérgio
- Foi duro. Fui perseguido por meus pais e irmãs, minha ex-mulher, incompreendido por “amigos” etc. Meus filhos foram surpreendentemente maduros, apesar de tão novos. Nunca deixaram de me amar e querer estar comigo. Deixei minha casa e tudo o que havia dentro dela nas mãos da minha ex-mulher por causa dos meus filhos. Comecei do tudo do zero de novo. Arrumei novo emprego, porque a escola na qual lecionava estava nas mãos de gente da igreja batista, e a convivência ficou insustentável. Nunca me arrependi de ter saído do armário. Fui em frente. Batalhei. E por isso progredi para um emprego melhor, consegui minha casa própria, conheci Emanuel (com quem estou casado hoje), passei a morar perto dos meus filhos (que estão com minha mãe atualmente), meus pais passaram a aceitar a realidade e se dão bem comigo e com Emanuel atualmente. Estou colhendo a tranquilidade que plantei no meio da maior tempestade que enfrentei na vida. Valeu a pena!

A Capa-  Pesando tudo isso, apesar das lutas internas e externas, valeu a pena? O que você diria para alguém que deseja muito sair do armário, mas ainda não encontrou forças para isso?
Sérgio - Sair do armário vale a pena! É muito melhor viver 100% na autenticidade com relação à sua homoafetividade do que “de dia ser Maria e de noite ser João”, como cantava o Chacrinha. A pessoa nem é realmente heterossexual e nem vive plenamente sua homossexualidade. Quando a gente é resolvido e assumido, a chantagem, a ameaça, as acusações indiretas e coisas semelhantes perdem totalmente o efeito. Você assume o controle de sua própria vida e desejo. Se tiver que mudar tudo para viver plenamente, mude! Eu mudei de emprego, de endereço, de amigos, mas ganhei qualidade de vida, tranquilidade e as condições necessárias para me realizar plenamente.

A Capa – O ateísmo que hoje você professa é fruto de um processo de entendimento acerca da religião, sua natureza e papel social ou reação emocional, portanto, reativa, a tudo o que você viveu na igreja evangélica? Como você de cristão passou a ateu?
Sérgio -
Tudo isso junto. Compreendi que – essencialmente falando – o cristianismo não está em posição melhor do que qualquer outra religião atual ou antiga. A religião egípcia, grega, cananita pode ser encarada até como superior em alguns aspectos. Qual é o fundamento seguro, ou seja, evidente e infalível que me garante que Deus existe, ou que a Bíblia é uma revelação divina, ou que o céu existe, ou que o inferno seja real? Como saber seguramente que Jesus e não Maomé ou Buda é o caminho, a verdade e a vida? Quem me garante que Jesus – se existiu de fato – não foi meramente um judeu, inconformado e ressentido com os dominadores da época, que acabou sendo mitificado por seus seguidores como ainda hoje acontece com aqueles que inspiram os desesperados. O próprio Inri Cristo que vive no sul do Brasil e alega ser a reencarnação de Cristo tem seus seguidores. Pode parecer uma comparação ridícula, mas só soa ridícula, porque a carga emocional que cerca a figura de Jesus hoje é muito forte. Imagine como seria visto o Inri Cristo daqui a algumas décadas ou séculos se pudesse contar com todos as forças políticas, sociais e econômicas que levaram Jesus a se tornar o messias de milhões pessoas do lado de cá do mundo. Haveria quem acendesse fogueiras em nome dele!
 
Emocionalmente falando, entender que não preciso dar contas a deus nenhum me liberou para ser eu mesmo e fazer de mim o melhor que eu possa. Se por um lado eu não tenho um fustigador celestial, por outro não tenho um onipotente provedor. Isso me libera para ser e fazer muito mais da vida! Deus não existe para cobrar, mas também não existe para dar nada. Não existe medo e nem esperança inútil. Restam a determinação em fazer da vida uma obra de arte e a ação prática na realização desta empreitada

A Capa – Religião e política tem andado de mãos dadas no nosso país. O Brasil assinou um acordo bilateral com o Vaticano nos últimos meses e só cresce o número de políticos evangélicos. Nossos espaços públicos são cheios de imagens e ícones do cristianismo. O Estado Laico ainda é um sonho? 
 Sérgio - O Brasil é uma piada em diversos sentidos. Somos constitucionalmente laicos, mas na prática o sacerdócio dá muito palpite na vida pública. Qualquer pessoa pode professar a religião que quiser. Ateus também deveriam ser mais claros em relação ao seu ateísmo. Existe um armário para os ateus também. Ateus precisam assumir tranquilamente suas ideias.  Isso faz diferença. Agora ninguém pode usar cargo político para favorecer grupos religiosos ou agremiações de qualquer espécie. Foi isso o que Édino Fonseca tentou fazer em 2004 e a Revista Época denunciou através da minha entrevista. Isso tem que acabar. Isso também é uma forma de corrupção. O Estado Secular de Direito é melhor, porque garante mais direitos para todos, inclusive para os religiosos. O dia em que uma religião tomar o poder, todas as outras estão perdidas. Vejam os exemplos históricos da Europa, do Oriente Médio e do Sul da Ásia.
 
A Capa – As eleições estão chegando e, pelo atual desenho eleitoral, teremos duas mulheres que, embora façam parte da esquerda, são evangélicas e concorrerão para importantes cargos no Executivo. Falo da senadora Marina Silva e da atual vereadora Heloísa Helena. Você votaria em evangélicos ainda que de esquerda?
Sérgio-
 Dificilmente. A maioria dos crentes faria qualquer coisa para preservar aquilo em que creem. Isso é perigoso. Por outro lado, o fato de alguém ser ateu não garante que será bom governante. É preciso ver as propostas e o passado político de cada candidato(a). O próprio Barack Obama que tantas expectativas alimentou vem sendo alvo da crítica do movimento homossexual americano por não estar realmente fazendo avançar a luta pela conquista de direitos civis em território americano. É muito difícil acreditar nos políticos. Os homossexuais já foram massa de manobra nas mãos dessa gente por tantas vezes que já não dá para apostar em nenhum deles.

Para ler a entrevista na íntegra, clique aqui.

E para quem quiser conhecer o blog Fora do Armário do Sérgio Viula, clique aqui.

Será o fim da era dos corpos depilados?

UndressingA ditadura estética que se formou a partir da década de 90 trouxe para a cena gay os homens bombados, de músculos definidos e depiladíssimos. Principalmente nos clubes de cultura barbie e nos lugares praianos.

Basta dar uma voltinha pela Farme de Amoedo ou curtir uma baladinha na The Week para comprovar este fato mais do que irrefutável. Possuir um pelinho cá ou uma gordurinha acolá se tornou um verdadeiro crime na comunidade gay. Frequentar academia virou uma obrigação e arrancar os pêlos indesejáveis se tornou uma verdadeira obsessão.

Aqui no Rio, a norma que não muda nunca é : malhar pesado para o verão e para o Carnaval. Exibir os músculos depilados em Ipanema ou em cima de um carro alegórico na Marquês de Sapucaí é o que há. Seu valor se mede pelos músculos.

Eu acho isso um saco! O gay tem feito desaparecer o que tem de mais interessante que é justamente as características naturais e particulares de cada tipo de corpo e, de uns tempos para cá,  tem se esforçado (literalmente) para formar um tedioso exército de clones anabolizados e depilados. Se tornaram todos iguais, quase sem identidade, seguindo o mesmo modelo estético…Que graça tem nisso?

img39

 Mas ao que tudo indica, parece que (finalmente!) esta ditadura está com os dias contados. Não sei o que está acontecendo (talvez os homens estejam fartos desta monotonia estética), mas venho percebendo que as ceras de depilação estão saindo de cena, ainda que timidamente.  

untitled2Os corpos peludos estão saindo do armário, começando pela comunidade gay européia, como pode ser percebido nas últimas edições das principais revistas gays do velho mundo.

Conforme adiantado pelo Marcelo Cia no XXY, este mês a revista inglesa Attitude e a francesa Têtu falam exatamente deste tema. A primeira traz na capa o queridinho dos ursos europeus: o  jogador gay-friendly de rugby Ben Cohen, com seu body todo parrudinho e peludo. Veja abaixo:

bc1

bc2

E a segunda traz uma matéria falando da nova tendência estética dos gays, apontando para o fim da era dos depilados. Aqui no Brasil, a revista TPM ataca de Thiago Alvez (abaixo), jogador de volêi que também assume seus pêlos e uma barriguinha natural bastante sexy.

talves1

Será que a moda pega?

Aproveitando o assunto, que tal votar na enquete?

E você, já saiu do armário hoje?

Há 21 anos a comunidade LGBT dos EUA comemora em 11 de outubro o National Coming Out Day, ou em português, o Dia de Sair do Armário. A data foi criada por ativistas americanos com a finalidade de lançar luz sobre a questão homossexual de assumir-se ou não e gerar discussões  a respeito dos assuntos relacionados às causas gays, assim como promover a consciência de que as pessoas LGBT podem viver honesta e abertamente com suas famílias.  

raibowballsEu me lembro bem da época em que eu ainda estava no armário. Era adolescente e tinha o pensamento de que minha sexualidade não era da conta de ninguém, que o que eu fazia entre 4 paredes só dizia respeito a mim e que só traria complicações para minha vida se um dia viesse contar para todo mundo que eu era gay.

Sempre ouvia histórias absurdas de filhos expulsos de casa somente porque assumiram-se para suas famílias e tinha muito medo de que isso pudesse acontecer comigo. Tinha medo do que as pessoas iam pensar de mim e de ser apontado na rua pelos vizinhos. Tinha medo de “sujar” a imagem que eu tinha do filho perfeito e do genro que toda sogra queria ter. Tinha medo de que meus amigos se afastassem de mim.

Por outro lado, eu não vivia bem com o fato de viver uma vida dupla: a vida que os outros queriam ver e a vida que realmente me pertencia. Sentia que eu estava vivendo uma grande farsa e isto não me fazia nada bem.

Lembro bem de quando descobri a extinta “rua da lama” em Botafogo, bairro onde eu morava na zona sul do Rio. Era chamada  desta forma um tanto degradante pelo fato de ser o point dos homossexuais na época. A rua estava sempre lotada de gays, lésbicas, travestis, etc e possuía uma grande variedade de bares e boates gays, que ficavam um do lado do outro – quem se lembra da Blade Runner ou da LochNess?

casal gayFoi a época do meu deslumbre. Foi quando eu descobri que não estava só no mundo e comecei a conhecer intensamente a vida gay do Rio de Janeiro e a me identificar com ela. Saía de casa à noite e ia caminhando pela Praia de Botafogo em direção à Rua São Clemente, num trajeto que se repetia religiosamente todos os finais de semana. Para os meus pais, eu dizia que ia para lugares héteros, como o Scala ou a Lapa. O que eu não sabia era que meu pai já estava ficando desconfiado e ficava me vigiando pela janela do apartamento…Ele sabia que eu não ia para os lugares que eu dizia ir, só não imaginava que eu estava indo para lugares gays. Até o dia em que ele ouviu falar da tal “rua da lama” e começou a juntar as peças do quebra-cabeça.

Era óbvio que havia algo de diferente em mim. Eu nunca aparecia com namoradas, não falava de coisas que os rapazes costumam falar como mulheres e futebol e não possuía muitos amigos. Apenas um, do qual eu nunca desgrudava e que na verdade, era meu namorado.

Eram tantas as evidências que meu pai começou a perturbar a minha mãe com suas desconfianças, mas ela sempre me defendia. Isso porque, certamente, ela já sabia. Mãe sempre sabe. Engana-se quem pensa o contrário. Até que um dia ela me chamou para conversar.

Lembro do friozinho na minha barriga e do suor gélido nas minhas mãos. Pelo teor da conversa e o clima que estava no ar eu já sabia exatamente onde ela queria chegar. E não me enganei. Ela foi falando tudo que tinha para falar, das minhas atitudes, da minha relação suspeita com meu “amigo”, das desconfianças do meu pai, etc, etc…

Ela estava séria, mas não parecia brava. Mesmo assim eu não conseguia encará-la. Tentava a todo custo desviar o meu olhar e fiquei mudo. Apenas ouvia. Quando veio a pergunta que eu tanto temia, não tive coragem de negar e assumi. Depois de eu ter revelado tudo o que o coração de mãe já tinha certeza, ela segurou no meu queixo,olhou fundo nos meus olhos e disse: 

  ”Você sabe que eu te amo. Sempre te amei. Mas agora que eu sei que você é gay, eu vou te amar mais ainda”.

Estas foram as palavras da minha mãe. Era tudo o que eu precisava ouvir para me sentir seguro em relação à minha sexualidade. Se minha mãe me apoiava, não havia mais ninguém no mundo que pudesse me preocupar. Quanto ao meu pai, aos poucos ele foi se acostumando com a idéia e não houve nada que abalasse a nossa paz.

Claro que nem todas as mães são iguais, nem todas as famílias são iguais e cada um sabe a melhor maneira de contar para sua família sobre sua orientação sexual. No meu caso tudo fluiu de forma muito natural, num processo que eu considero como o ideal. Bom seria se todas as famílias fossem assim. Muito sofrimento seria poupado e todos os problemas estariam resolvidos.

Hoje eu vivo de forma mais plena, mais honesta comigo mesmo e com as pessoas ao meu redor. Construo amizades mais sinceras, livre daquelas preocupações de esconder minha identidade e acredito ajudar a quebrar os estereótipos e mitos negativos acerca dos homossexuais. Passei a me interessar mais pelas causas LGBT e tenho plena consciência de que preciso lutar pelos meus direitos. Hoje eu sou imensamente mais feliz.

Isso não significa que você deva se assumir em todos os lugares ou em qualquer ocasião. Só você sabe como, onde e quando deve sair do armário, baseado naquilo que você pensa ser o melhor. A orientação sexual ou identidade de gênero são peças importantes em sua vida, mas não é apenas isso que define você.

O importante antes de se assumir para os outros, é sem dúvida alguma, assumir-se para você mesmo e se conhecer.

Hoje eu já não penso da forma que eu pensava quando estava no armário e sempre que alguém me pergunta se deve se assumir, eu sempre digo SIM.

E vocês, já saíram do armário? Deixem seus depoimentos!

 flag

 

 

União cível, união de fato ou união homoafetiva?

O texto a seguir foi escrito pelo meu amigo Sérgio Alexandre Cunha Camargo para o site MixBrasil e eu fiz questão de reproduzí-lo aqui na íntegra pela importância do tema para a comunidade gay e pelo significativo conteúdo que elucida muitas dúvidas que normalmente se tem diante desta questão. Uma ótima contribuição do Alê para o povo LGBT!

gay_marriage

União cível, união de fato ou união homoafetiva?

Chega como ponta de um iceberg o questionamento, se pessoas do mesmo sexo têm, ou não, o direito de casarem-se, e se este ‘casamento’ poderia ser chamado de União Homoafetiva, como preconiza a Dra. Maria Berenice, desembargadora aposentada no Rio Grande do Sul, e advogada militante; ou como realizam boa parte dos tabeliães em nosso país, quando o fazem, como mera União Civil, ou União de Fato.

O próprio Ministério Público Federal reconhece que, a alegação de que a impossibilidade de procriação justificaria a não-proteção da união entre pessoas do mesmo sexo é equivocada, na medida em que o incentivo à procriação não é objetivo da tutela legal dispensada à união estável, isto é, o direito não espera que a união heterossexual  gere filhos, ainda que a religião assim pretenda. À partir deste argumento não seria de se aceitar a afirmação de que fator para negar a possibilidade de reconhecer a União Homoafetiva, seria a impossibilidade reprodutiva.

É fácil entender hoje em dia, que várias são as razões que levam duas pessoas a desejarem uma vida em comum, sendo reconhecidas pelo direito. A não possibilidade de gerar prole por si só, não pode ser indicativo da ausência de legitimidade a constituição de uma família. Há grave problema na sociedade brasileira, construído ao longo dos séculos pela plena falta de planejamento de crescimento populacional, em que hoje resulta nas grandes cidades número incalculável de menores abandonados pelos pais biológicos, impactando em diversos fatores da sociedade, como crescimento das demandas por serviços públicos, incremento do fenômeno da favelização, e incentivo a criminalidade. Boa parte da comunidade homossexual gostaria de poder adotar uma criança, para incrementarem seu apetite familiar, o que na prática apresenta forte grau de dificuldade diante o direito brasileiro, e da sociedade como um todo.

O progresso na direção de unificar os direitos dos casais homossexuais, em nível igual ao dos heterossexuais é visível, ainda que retrocessos ocorram, como no caso de decisão do Superior Tribunal de Justiça (Brasília), que no Recurso Especial n. 502.995-RN, mencionou que a primeira condição que se impõe à existência da união estável é a dualidade de sexos, sendo a homossexual inexistente juridicamente no que tange ao casamento, ou união estável, podendo apenas configurar-se como sociedade de fato, cuja dissolução assume contornos econômicos, resultantes da divisão do patrimônio comum, com incidência no direito das obrigações, e não no direito de família. Lamentável a decisão. E a questão afetiva? E a relação humana por trás do direito, como justificarmos a existência do próprio Estado, se não levarmos em consideração seu fator de criação preponderante: O Povo… o povo homossexual.

Como membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Barra da Tijuca, e advogado militante, somos diversas vezes questionados sobre os direitos dos homossexuais. Hoje há grande gama de direitos reconhecidos pela força da advocacia, dos direitos humanos e da jurisprudência, que através de árduo trabalho conjunto apresentam soluções modernas, para situações recorrentes, cotidianas.

Um grande passo é registrar junto aos cartórios escritura pública de UNIÃO HOMOAFETIVA, como variante da união estável, o que infelizmente poucos tabeliães estão dispostos a fazer, por mero preconceito. Essa modalidade de união levam a equiparação dos direitos, que hoje assistem aos companheiros,e  companheiras da relações heterossexuais, tais quais:
• Direito a alimentos;
• Direito à sucessão do parceiro falecido;
• Direitos à percepção de benefícios previdenciários;
• Direito a fazer declaração conjunta de Imposto de Renda;
• Direito de sub-rogar-se no contrato de locação residencial de companheiro falecido, ou de prosseguir no contrato no caso de dissolução da união;
• Direito à visitação em presídios;
• Direito à obtenção de licença para tratamento de pessoa da família;
• Direito à licença no caso de morte do companheiro ou companheira, dentre outros.

Atualmente, conseguimos a maior parte destes através da advocacia, na via judicial.

Há cartórios no Rio de Janeiro, dispostos a reconhecer a União como HOMOAFETIVA, o que facilita o cônjuge restante, nos momentos dos dissabores da vida.

É importante a sociedade, e os órgãos públicos perceberem que a comunidade homossexual veio para ficar, e cada vez mais compõem todos os setores da sociedade, como brasileiros participativos e atuantes. Mantê-los no preconceito, e à sombra da sociedade e tentar retardar o futuro que já está presente, e que virá haja ou que houver.

***

Sérgio Alexandre Cunha Camargo é Advogado militante, Presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB Barra da Tijuca, membro do IBDFAM (Instituto Brasileiro de Direito de Família), professor de direito, dentre outros. Ele está à disposição para responder a questionamentos dos leitores através do e-mail sergiocamargoadv@hotmail.com

 

pro_gay_marriage_rights

Mostra Gay no Festival do Rio

Não é novidade que as manifestações artísticas e culturais focadas na temática gay raramente atingem o grande público pelos motivos que já estamos cansados de saber. No cinema, a problemática não é diferente. São pouquíssimos os filmes gays que chegam às grandes salas de cinema do circuito comercial. O terreno para este tipo de produção no Brasil não é nada fértil e as distribuidoras simplesmente ignoram os títulos e, consequentemente, o público que gosta deste tipo de filmes. O tal “desconforto hétero” não parte apenas dos distribuidores, mas também dos espectadores, dos executivos e da própria crítica que se sente incomodada ao tratar do tema.

Depois de Tudo, com Ney Matogrosso e Nildo Parente

Depois de Tudo, com Ney Matogrosso e Nildo Parente

Isto acaba se refletindo no número de produções gays do “mainstream” que estão cada vez mais tímidas. Ano passado assistimos ao sucesso de Milk de Gus van San, aplaudido pelo público e pela crítica especializada, que ganhou o Oscar de melhor ator para Sean Penn e melhor roteiro original para Dustin Black. Um fenômeno talvez causado pela atuação de um aclamado ator hollywoodiano (hétero) que atrai público e, talvez, por ser “palatar” aos olhos da população por não ter cenas de sexo e não ir muito a fundo na trajetória pessoal (e sexual) de Harvey Milk, que era frequentador assíduo de inferninhos e saunas de San Francisco.

Antes de Milk, talvez tenhamos como referência apenas Brokeback Mountain, há quase 5 anos atrás, o que acaba refutando o que eu já havia dito lá em cima.

Visto assim parece que a indústria de cinema gay é escassa, mas não é. O site americano AfterElton promoveu uma pesquisa para eleger os melhores filmes gays de todos os tempos e seus editores acharam que seria uma tarefa difícil. Porém se surpreenderam ao descobrir mais de 500 filmes com temática LGBT da década de 80 para cá, incluindo dramas, comédias, suspenses, musicais, etc… Sem contar os curta-metragens que são inúmeros. Somando-se ao que eu já escrevi, não é necessário pensar muito para deduzir que a maioria destes filmes são produções independentes e baratas. Verdadeiras obras de arte que só podem ser apreciadas em festivais de cinema alternativo ou através da santa internet, com o porém de que nem todos os filmes disponíveis para download na rede são legendados.

 Dito tudo isto, a dica do momento é assistir à Mostra Gay do Festival do Rio, que já começou esta semana e vai até o dia 08 de outubro, em várias salas de cinema da cidade. São 12 produções entre longas e curtas-metragem de várias nacionalidades que abordam assuntos relacionados à diversidade sexual.

O tão aguardado Do Início ao Fim de Aluísio Abranches, que conta a história de amor incestuosa entre dois irmãos, ficou de fora da mostra, mas ainda tem muita coisa legal para ver.

Morrer como um Homem

Morrer como um Homem

Entre eles destaco o português Morrer como um Homem, que conta a história de Tonia, transexual veterana de Lisboa, que vê seu mundo desmoronar e seu posto de estrela na boate onde se apresenta ser ameaçado pela chegada de uma drag queen mais jovem, ao mesmo tempo em que seu namorado tenta convencê-la a fazer a cirurgia de mudança de sexo, que ela sempre negou por crenças religiosas.

O americano Fúria é um documentário sobre políticos gays americanos que lutam CONTRA as causas gays (vê se pode!) e lança luz sobre o mal que estes homens de estado infligem à população por sua desonestidade pública.

Homens, curta brasileiro

Homens, curta brasileiro

O curta brasileiro Homens narra a difícil vida real de gays no interior do Nordeste brasileiro. Seus conflitos, suas conquistas, suas angústias, são postos sem medo diante da câmera. São gays que se identificam como homem, mulher, como gente. Pessoas que enfrentaram e enfrentam o preconceito em cidades bem pequenas, onde a tolerância parece menor que nos grandes centros. Gente simples, de olhar simples, com sorrisos e lágrimas verdadeiros.

Há ainda o longa lésbico taiwanês Fantasma e o curta brasileiro Depois de Tudo, com Ney Matogrosso no elenco representando um gay de meia idade enrustido (!), entre outras produções. Vale a pena conferir.

Segue o link  (para ver a sala onde o filme está sendo exibido e os horários, clique no título do filme) :

http://www.festivaldorio.com.br/site2009/filmes/mostras.php?id_mostra=11

Ativo X Passivo: Quando o jogo vira…

Não há nada tão marcante no mundo gay quanto a dicotomia Ativo X Passivo. Como se não bastassem as gavetas etiquetadas que determinam a identidade sexual (conforme escrevi em Héteros que fazem ou gays encubados?), muitos gays ainda encontram em si outras subdivisões que limitam a sua sexualidade em quem come e quem dá na hora da transa.

gaycoupleJá vi inúmeros artigos de sexólogos e psicólogos a respeito deste tema e, praticamente, todos concordam que esta é uma questão herdada da heteronormatividade. É como se os gays projetassem para o seu universo a imagem do casal homem X mulher e, assim, definissem também a sua relação.

O problema, ao meu ver, é quando estas posições passam a determinar não apenas a vida sexual dos gays, mas também a vida amorosa.

Conheço muitos casais gays com posições sexuais bem definidas que terminaram o relacionamento porque, em determinado momento - ou em apenas uma transa - um dos parceiros resolveu inverter as posições. Quando isso acontece, tudo que envolve a relação parece se tornar pequeno diante deste “problemão”. Coisas importantes como o companheirismo, a cumplicidade, os planos futuros, e até mesmo o amor são desprezados e esmagados por este trator chamado sexo que, infelizmente, parece conduzir boa parte das relações homossexuais.

0507É bastante comum ver gays passivos, ou como dizem por aí, as famosas e ortodoxas PAM’s (Passivas Até a Morte), verem o chão abrir aos seus pés quando seus “bofes” resolvem dar. É como se o príncipe virasse sapo de um minuto para o outro, uma catástrofe absurda e impensável. Alguns até têm pesadelo só de pensar em comer o próprio bofe ou querem se matar quando descobrem que o bofe já foi passivo para alguém alguma vez na vida. Parece absurdo, mas não é…Conheço muita gente assim.

 Há ainda aqueles que fazem o “esforço” de inverter as posições na hora da transa, mas o final é sempre o mais previsível: o relacionamento acaba e a caça pelo parceiro compatível começa outra vez, num ciclo que parece sem fim.

hot kiss gayÓbvio que cada pessoa tem a sua preferência ou se sente mais confortável em determinada posição, mas será tão difícil ceder alguma vez para dar prazer a alguém que se ama?

Se há sentimentos envolvidos, eu não acho que deveríamos encarar uma possível troca eventual de posições como um bicho de sete cabeças a ponto de abalar as estruturas da relação.

Uma vez me disseram que eu levanto a bandeira da versatilidade por causa desta minha opinião e me disseram isso num tom de reprovação, de discordância, como se o correto fosse existir apenas o ativo e o passivo. Eu sempre achei esse engessamento sexual muito chato e delimitador demais, e que acaba gerando tabus quando o “jogo vira” (e sempre vira, em algum momento). Por isso, continuo achando que este “detalhe” não deveria nunca abalar uma relação madura, pelo contrário, deveria fortalecer, pois ambos estariam se permitindo conhecer ao máximo, mesmo que sempre haja uma tendência para um lado ou outro. Afinal, este é o interessante do relacionamento gay: as várias formas possíveis que a homossexualidade permite de dar e sentir prazer.

muscleman lying

Superman beija Jesus Cristo

supercristoA polêmica está de volta.  Depois de ”causar” em Rosário (cidade da Argentina) no ano passado, a obra do artista Mauro Guzmán está novamente dando o que falar, desta vez na exposição de arte “Younger than Jesus” que reune artistas menores de 33 anos no New Museum em Nova York.

A fotografia com efeitos de computador mostra dois atores se beijando na boca, um caracterizado de Jesus Cristo (o próprio artista) e outro de Super Homem. Segundo o artista, a obra não foi feita com intenção de ofender, mas satirizar a arte denominada “A maior, mais bela e mais heróica história de amor de todos os tempos”.

Na época da exibição argentina, religiosos  fizeram de tudo para retirar o quadro da exposição, contudo, o secretário de Cultura declarou que “as críticas seriam levadas em conta”, mas que a obra não seria retirada. E não foi. A obra também passou por Buenos Aires e Londres e não causou este tipo de reação.

Por enquanto, em NY só está causando burburinho entre os frequentadores, mas nenhuma instituição religiosa se organizou para tentar censurá-la. Questão de tempo.

Bem, eu li que Mauro Guzmán é um artista extremamente importante na Argentina. Parece que ele recebeu o prêmio máximo da 17ª feira de arte contemporânea ArteBa, de Buenos Aires entre outros. Entendo e admito que a arte existe também para questionar valores, revolucionar, subverter convenções… Mas no caso deste quadro fico me perguntando se existe uma concepção artística real  ou se a obra não passa de uma forma rápida de alcançar a fama usando figuras iconográficas que para muitos carregam sentidos inimagináveis. Gostaria muito de acreditar na primeira, mas a segunda opção me parece mais sobressalente. No mais, cada um entende como quiser, pois em arte, tudo depende dos olhos de quem a admira.

scgaleria

Quer ser voluntário na 5a Parada do Orgulho LGBT de Niterói? Saiba como!

Esta é para os leitores de Niterói, Rio e Grande Rio!

O GDN – Grupo Diversidade Niterói , do qual eu faço parte, já está convocando voluntários para participarem da 5a Parada do Orgulho LGBT de Niterói, que será realizada no dia 04 de outubro de 2009 a partir das 15h.

Cartaz

Cartaz

Este ano, a Parada de Niterói terá como tema “Yes Nós Temos Orgulho!”, em homenagem aos 100 anos do nascimento de Carmem Miranda, que sem dúvida alguma é um dos maiores ícones do mundo gay e o ídolo mais imitado pelas Drag Queens, que aliás, terão destaque especial nesta Parada, já que as drags e trans normalmente  não são muito lembradas nestes eventos. O cartaz é este belo trabalho artístico que vocês podem ver neste post e que foi super aprovado por todos nós do GDN.

Porta-Camisinha

Porta-Camisinha

Mas por que precisamos de voluntários? Porque além da Parada (que dá um trabalhão!) o GDN realiza todos os anos,  junto com seus parceiros, a Semana da Diversidade de Niterói: um calendário de eventos repleto de atividades sociais e culturais que ocupam toda a cidade e ainda realiza a maior campanha de prevenção as DST/AIDS já promovida. Serão dezenas de atividades e 50.000 camisinhas distribuídas ao longo dos meses de setembro e outubro.

 

Para participar, basta comparecer aos encontros de capacitação de voluntários que acontecem toda 3a feira a partir das 18h na sede do GDN que fica na Rua Aurelino Leal, n° 31 , Centro de Niterói.

 

Após a reunião dos voluntários, a partir das 20h, acontece também o Encontro de Vivência, que é um encontro semanal com a finalidade de trocar idéias e experiências entre a comunidade LGBT, no qual eu estou sempre presente. Será um prazer recebê-los lá!

Venha participar desta luta pela aprovação do PLC 122 que transforma a homofobia em crime no Brasil!

 

Qualquer dúvida, me passem um e-mail!

 

 

Rio disputa título de melhor destino gay do mundo

Já estão abertas as votações para o TripOut Gay Travel 2009, que elegerá o melhor destino gay do mundo. Entre os concorrentes estão Buenos Aires, Barcelona, Sidney, Montreal, Londres e…Rio de Janeiro!

130442Achei a indicação bem interessante, mas o que mais me chamou atenção foi a adesão do Governo do Estado e da Prefeitura do Rio à campanha. O logo que vocês vêem aí ao lado foi criado pela RioTur especialmente para promover a candidatura da Cidade Maravilhosa a este título, obviamente com um interesse explícito no “pink money” e no estímulo turístico que esse concurso poderá trazer.

Mas não estou bem certo se o Rio merece este título não… Às vezes penso que aqui no Rio, gay friendly mesmo só a Praia de Ipanema, em frente à Farme de Amoedo…No resto da cidade a realidade é outra.

Porém não quero parecer injusto ou crítico demais. Pelo menos, politicamente falando, tenho que admitir que estamos muito melhores agora com o governador atual do que com o casal de “Garotinhos” evangélicos e conservadores das gestões anteriores. Não sou militante partidário, é bom que se diga, mas vejo que, pelo menos, o governador Cabral está demonstrando boas intenções e cumprindo algumas promessas feitas à comunidade LGBT durante sua eleição. Criou o Programa Rio Sem Homofobia e enviou ao Supremo um pedido para que se legalize juridicamente as uniões homossexuais em todo território nacional, mostrando ser um político de vanguarda. Sinal de que as coisas estão mudando.

Enfim, se quiserem votar, basta acessar www.tripoutgaytravel.com/awards e seguir o passo a passo:

Cópia de ATgAAAB_fvK-Re1EEPp0wsf8BYIigu_Rnfz9Dca3o-cv52czrY9XooLmy1rl5RO-yo1LJJ8-qThcih4LAc3-Z2vae3r_AJtU9VAroJbxhDrbnE_WdTnQPF1fqIr3ug

1- Acessar o site www.tripoutgaytravel.com/awards;
2- Localizar na pagina “home” a janela com o título:
VOTE NOW;
3- nessa janela localizar a categoria BEST GLOBAL DESTINATION em seguida clicar em GO;
4- nessa janela com opções dos destinos concorrentes localizar o Rio do lado da figura do Cristo Redentor e clicar em VOTE na mesma linha;
5- Em seguida vai se abrir uma sequência de janelas com opções de
voto em outras categorias. Não é preciso votar nessas categorias, deve-se apenas clicar na palavra SKIP acima, à direita. Continuar clicando em SKIP até aparecer a última janela com a frase THANKS FOR VOTING;
6- O seu voto terá sido concluído com sucesso.

São Paulo terá Câmara de Comércio LGBT

Minha querida amiga escritora Marli Porto, autora do romance gay Uma Luz para Davi acabou de me enviar um convite para o lançamento da Câmara do Comércio LGBT do Brasil, da qual ela será Secretária Geral. É mais uma contribuição desta maravilhosa pessoa à comunidade gay brasileira. Vale lembrar que, apesar de seus muitos trabalhos ligados à cultura LGBT, Marli Porto é heterossexual, o que faz dela uma pessoa ainda mais especial e digna de admiração, um exemplo de humanidade numa sociedade tão preconceituosa e homofóbica. 

image002

 Aos moldes de países como Canadá e Estados Unidos, a Câmara de Comércio LGBT do Brasil foi uma iniciativa que partiu do jornalista e empresário Douglas Drumond, presidente da associação Casarão Brasil, que juntamente com parte do empresariado que possui estabelecimentos ou publicações destinados ao público arco-íris da cidade de São Paulo, fizeram da idéia uma realidade.

A instituição é uma associação civil, sem fins lucrativos, com sede em São Paulo, que além de fomentar o comércio gay e lésbico, tem por objetivo apoiar o desenvolvimento da comunidade empresarial LGBT no Brasil.

Qualquer pessoa pode ser associada a câmara, pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras, desde que se propuserem a contribuir para com seus propósitos.

A partir de agora os empresários do mercado LGBT do Brasil, contarão com mais uma segurança contra ataques homofóbicos e tentativas de fechamento dos seus empreendimentos, entre outros benefícios.

Lançamento: 

Data: 31 de agosto de 2009 às 19:30

Local: Centro Empresarial do Aço – Teatro COSIPA Cultura 

Avenida do Café 277 – Jabaquara (Junto à Estação Conceição do Metrô)

Estacionamento na Rua Guatapará 170

Confirmar presença com Rogério de Oliveira através do telefone (11) 3171-3739 ou e-mail: contato@casaraobrasil.com.br