Falar de religião nunca é fácil. É um assunto muito, muito, muito delicado e que mexe com os sentimentos, as crenças, os pensamentos, e mais uma série de questões existenciais. Não me arrisco muito a fazê-lo pois minha filosofia e minhas idéias diferentes da maioria dos ocidentais sempre acabam causando certos desconfortos em algumas pessoas menos flexíveis.
Mas há momentos em que é preciso deixar de fazer a linha blasé para tomar algum partido, senão as coisas continuam do jeito que estão.
Recebi um e-mail de um cristão, que conseguiu meu endereço eletrônico aqui no blog, e que me deixou bastante comovido. Leiam um trecho:
“Oi Kiko,
Vi teu perfil no orkut e acessei teu Blog. Li as materias postadas e achei muito interessante.
Bom, sou nascido numa familia cristã tradicional, protestante, desde novo sempre fui da igreja, fiz inclusive seminario teologico. Mas desde criança sinto atração por homens, e isso sempre foi um peso muito grande pra mim, pelo fato de nunca ter podido falar nada disso com alguem e pelo fato da minha fé cristã também. Sinto muito desejo de poder abraçar outro cara, senti-lo, entende? Mas não concordo com a atitude de criticar a igreja.
Eu creio na Biblia e temo a Deus. Mas também tenho muita clareza quanto ao que sinto, que é muito real. Minha familia, ninguem, sabe que sinto esse tipo de atração. Nem sei qual a reação que eles teriam. Nem quero saber.
Tenho 33 anos e já pensei muitas vezes em me casar, mas hoje não penso mais porque não acho justo me casar com uma mulher e no fundo não desejá-la, mas sim a homens; e isso seria mais do que traição, seria canalhice. Não faria isso jamais com uma mulher.
Na verdade não sei porque estou te falando tudo isso, mas acho que é pelo fato de não ter ninguém pra desabafar.Se possivel, gostaria que comentasse sobre o que te falo aqui.
E isso é bem sufocante. Não é facil guardar algo tão forte.”
Fiquei surpreso, triste e revoltado com este e-mail…Daí pensei: Quantos e quantos milhares de gays cristãos não passam pelo mesmo sofrimento deste pobre homem?
Eu não sou cristão e não nasci num lar religioso. Entretanto, tive uma educação maravilhosa. Meu lar sempre foi harmonioso e todos sempre se respeitaram. Hoje sou plenamente satisfeito com minha vida e muito bem resolvido em relação à minha sexualidade. Toda minha família sabe da minha orientação sexual e me apoia sem problemas, inclusive, participam da minha vida.
Talvez, seu eu tivesse nascido num lar cristão, tudo seria diferente. Talvez eu não estivesse aqui hoje mostrando minha cara e fazendo os trabalhos que faço. Talvez estivesse escondido e reprimido como muitos porque eu seria considerado uma aberração diante da minha fé. Teria problemas com a família, com a igreja (sim, com letra minúscula mesmo) e problemas comigo mesmo.
Não deve ser fácil ser renegado pela sua própria fé. É inadimissível que uma instituição que diz pregar o amor e a compaixão seja a principal causadora do sofrimento de milhares e milhares de pessoas e dissemine o preconceito e a intolerância ao longo dos séculos. Pois é exatamente isto que a igreja vem fazendo. A História não deixa mentir.
Mas não quero ofender a fé de ninguém, é apenas um desabafo solidário com este rapaz que me escreveu o e-mail e com todos os outros que passam pelo mesmo problema, presos a uma religião intolerante, frustrados, infelizes ou sendo obrigados a viver uma vida dupla.
Já exstem por aí igrejas cristãs inclusivas que aceitam fiéis gays. Pode ser interessante para quem sente a necessidade de algum tipo de apoio em grupo, entretanto, não é bom se iludir: A instituição-mor continua e continuará com suas convicções ultrapassadas, preconceituosas e homofóbicas.
Vide as palavras do papa contra os gays no final do ano passado, a oposição da bancada evangélica contra os projetos de lei que beneficiam os homossexuais, a passeata de desocupados fanáticos que invadiu os jardins do Planalto para protestar contra a PLC22, as igrejas cristãs que exorcizam homossexuais e dizem que isto é coisa do demônio, os pais que expulsam filhos de casa e por aí vai…
Lamentável.
No final do e-mail, o rapaz escreveu assim:
“Eu creio em Deus. E queria muito poder continuar servindo Ele, mas o que fazer quando tenho que, ou me ocultar ou então cair fora da igreja? “
Isso só ele pode decidir…Só espero que ele faça a escolha certa.
Arquivado em: Homossexualidade X Religião | Etiquetado: armário, cristianismo, gay, gay cristão, homofobia, homossexualidade, igreja, intolerância, preconceito

Apenas imaginem toda a história recontada. Nada de sacrifícios para se atingir a bondade. Nenhuma assunção de verdade. Jesus teria pasado na Terra apenas para fazer o bem. Ele não teria pai, nem nascido de uma mágica concepção auricular. Imaginem.
Imaginem uma cantata de Rufus Wainwright louvando a existência de um Deus gay- the gay messiah. Um homem gay superior, melhor do que todos os homens.
A história toda teria um viés contrário. Homossexuais subjulgariam toda a raça. Seria um credo místico , envolto num ritual diferenciado. Não sei o que poderia ser. Mas haveria de ser um novo julgo. Então, pensaríamos em Deus como algo mais flexível, mais bondoso, mais pacífico, menos maldoso. Todos santos gays, como Ogum e seus orixás.
Entendam a força do exagero como contraponto de tudo que se fala e se afirma sobre Jesus, Deus: homens como nós. Por que não um Messias gay para receber os 10 mandamentos? O que impediria , se a condição era ser bom de coração?
O que defendo- e nisso talvez caminhe pela mesma trilha do Kiko -, é que foi tudo uma fantasiosa história contada por exímios contadores de história. Já havia Homero mil e tantos anos antes de Cristo e, ainda hoje, é controverso os relatos de Ilíada e Odisséia. Olha como foi bem contada a história! Mas os Deuses dos gregos eram quase mortais, misturavam-se com os mortais. Eles eram bem mais próximos da realidade.
Para mim , Deus é uma criação, uma história bem contada. Jesus poderia ter sido qualquer um de nós, mas daquele tipo desprovido de maldade e ganância. Bastava haver um de nós- como podemos fazer-nos Jesus hoje, se quisermos -, para realizar a bondade e repassá-la. E talvez, assim, como Homero, alguém poderia ter vivido esta vida de bondade e recontada -a aos seu sfilhos como modelo a ser seguido.
Enfim, Deus está em qualquer lugar – como bem diz a Bíblia- e esse lugar pode ser você.
Kiko,
Andei pensando! Que tal trocarmos cartas sobre esses assuntos polêmicos e fazer um livro de autoajuda em parceria, como fizera o Padre Fábio de Melo e o colega dele? O que você acha? Pertinente, não?
Olá meu amigo escritor! Obrigado por sua presença constante no blog. Seus comentários frequentes e eloquentes complementam minhas reflexões com maestria.
A idéia do livro é mais do que pertinente. Mas vamos tocando o assunto por e-mail, ok?
bjs
Olá Kiko,
antes de qlqr coisa, mto obrigado pela sua visita ao Cartas e pelo seu comentário que me deixou mto feliz, novos textos virão!
Sobre o post.: Não sou cristão por opção, e digo que tbm por estudo, fiz comunhão bla bla bla, depois estudei, história, história das artes, outras religiões, a religião antiga, e várias outras vertentes e possibilidades que me fizeram optar por desistir da igreja (opção minha ok!).
Então a primeira coisa que não entendo é justamente o fato de “temer” algo, ou alguém que quer o seu bem. Se quer o seu bem deve (ou deveria) aceitá-lo como é… Acredito que uma opção é a tal igreja para todos, meus amigos visitaram e curtiram, eu não fui, não dou meu parecer sobre.
Minha opinião pessoal sempre foi a de buscar ser feliz sempre, por mais desafios que tenha que superar, minha família não me aceita 100% mas sabem oq se passa e um dia aceitarão, ou não, e qnd entram no assunto religião sempre digo que se o Deus deles me aceita, eles, simples mortais não tem o direito de não aceitar… enfim, cada familia é um caso, é bom para o rapaz conhecer muitas histórias e saber que não será fácil se aceitar como tbm não é se esconder!
Sobre o livro: gostei muito da idéia, é bem bacana e possivelmente mto polêmica… A-doro polêmica!!! hehehe
bjs
Olá Hugo!
Minha trajetória foi um pouco parecida com a sua no que diz respeito a religião. Há um tempo atrás, todos os brasileiros nasciam “católicos”. Mesmo que não praticantes, acabavam sendo batizados, fazendo 1a comunhão ou casando-se no catolicismo. Era praticamente uma convenção. Entretanto desde cedo questionei aquelas estórias fantásticas que ouvia e, a medida que fui estudando e abrindo minha mente, fui me distanciando daquilo tudo e hoje optei por outra filosofia que me preenche de forma mais sensata e menos fantasiosa, uma filosofia onde não há um “ser transcedental” que determina meu destino e que vai me julgar no além túmulo, mas sim as minhas próprias vontades e ações que vão guiar a minha vida. Mas como vc disse, foi tudo muito pessoal. Respeitemos a fé alheia!
E muito obrigado pelo seu depoimento aqui. São exemplos assim que podem ajudar muita gente que passa por esse dilema tão complexo e perturbador. E mais uma vez parabéns pelos textos no “Cartas”.
Bjs
Eu sou gay assumido e fui criado num lar evangélico. Aos 15 anos percebi que eu era diferente dos outros meninos. E foi quando tudo começou. Minha mãe sentiu uma diferença em mim, em minhas atitudes, quando encontrei a minha ‘tribo’ e me impediu de fazer algumas coisas, como encontrar uns amigos, conversar com eles e a frequentar a igreja deles. Eu fui até para o PSICÓLOGO EVANGÉLICO para me tratar. Como eu era menor de idade, cedi a tudo e fiz todas as vontades. Mas logo ela viu que nada fazia efeito. Eu continuei na igreja e escondendo a minha condição. Tentei mudar várias vezes: me impedia de pensar em homens, de desejá-los, de beijá-los e etc. Mas isso não durava 1 mês. Todos os meus amigos gays eram evangélicos. Apesar de ninguém assumir nada. Existem milhares de gays evangélicos. Toda igreja que eu ia, tinha um grupinho. E mesmo evangélicos, tinha ‘as carudas’. Mesmo hoje, tendo vários amigos de lugares e religiões diferentes, 95% deles sairam do evangelho.
Hoje tenho 23 anos, ainda moro com meus pais, namoro há quase 2 anos e meu namorado frequenta minha casa. Não frequento nenhuma igreja, apesar de já ter ido a uma igreja adepta aos gays. Mas não gostei e preferi seguir minha vida sem frequentar igrejas. Essa foi uma escolha muito difícil pra mim, mas eu tive que fazer. Quando fiz minha escolha de não frequentar igrejas evangélicas, decidi provar aos meus pais que a visão que eles tinham de um homossexual era extremamente deturpada e que nada em mim mudaria, se é que vocês me entendem.
Minha vida agora é muito mais tranquilila. Passei por tudo o que este menino do email passou. Mas hoje tenho muita paz. Confesso que no início foi muito difícil, mas valeu apena e não me arrependo. Meus parentes sentem orgulho de mim, pelo que sou, pelo que faço e pelo que vou me tornar. E perceberam que a homossexualidade não mudou nada na minha personalidade e no meu caráter.
Se me perguntarem qual a minha orientação sexual numa entrevista de emprego, direi: Homossexual ou gay, tanto faz! Se eu for reprovado por isso não ficarei triste, nem depressivo, mas direi: quem perdeu foram eles. Não deixo de me valorizar e de ter amor próprio.
Então é isso… Espero que eu tenha ajudado… rs
Oi Rafael!
Muito bonito o que você escreveu, rapaz..
Sua autenticidade e coragem certamente serão grandes exemplos para que os leitores que passam por este mesmo problema busquem a felicidade. Afinal, ser feliz e sincero com os próprios sentimentos é o que verdadeiramente importa.
Parabéns e muito obrigado! Super bjo!
Eu frequento a IGREJA PARA TODOS que tem como lema que DEUS NAO FAZ ACEPCAO DE PESSOAS.
O QUE POSSO TE DIZER EH QUE FASA UMA VISITAR E VEJA COM SEUS PROPIOS OLHOS ,QUE DEUS TE AMA DO JEITO QUE VC EH!!!
Caramba! Não estou sozinho no mundo. Eu nasci em um lar Critão-Católico, mas, a minha família – da parte da minha mãe e tios pra baixo, sempre forma tolerantes. Com o desenvolver das nossas vidas, a família que era católica, se tornou evangélica.
Eu era pequeno ainda, deveria ter uns 10, 11 ou 12 anos, realmente eu não me lembro, mas fui levado à Igreja forçado pela minha mãe. Como eu sei que isso a agradava eu fazia, na frente dela, cara de quem estava amando. Coisa que nem sempre era verdade.
Na minha igreja, até algum tempo não se falava muito em homossexualidade, nem nada disso. Apenas, abordava amor, amizade, fé, enfim… Então eu começei a ser criado assim. (Detalhe: Eu sempre tive uma queda pelo lado místico, e nunca tive apóio por isso. Eu adoro a filosofia budista, gostaria de seguir, respeito e acho interessantíssimo o candomblé, o espiritismo, e tantas outras diversas religiões. Todas são dignas de estudo e respeito).
A igreja estava passando por mudanças profundas. Estava sendo implantava uma visão chamada: “Visão Celular no Modelo dos 12 (M12)” – Na Colômbia é conhecida como G12 – Que na prática é a mesma coisa. Como acreditamos que a igreja é o corpo de cristo, nós temos as células que são reuniões familiares feito nas casas. Uma vez por semana. Na igreja local, essas reuniões são feitas todos os sábados. Existe um estudo e esse é pregado como a igreja. Na verdade, é a igreja em sua casa e você é o pastor. Essa é a Visão Celular, a M12 vem da idéia de que Jesus levantou 12 homens para estar com ele, então o pastor levanta 12 homens, esses 12 levantam 12, esses por sua vez, levantam mais 12 e assim vai. Contudo, pra você liderar uma célula é necessário passar por uma série de ‘procedimentos’, como “Encontro com Deus”, “Escola de Líderes” e estar ativamente envolvido nas atividades da igreja. (Mais informações jogue no Google palavras chaves)
Eu passei tudo isso, não vou dizer que tudo foi forçado, mas por exemplo, no “Encontro com Deus” eu fui por curiosidade. Então eu fui levando essas coisas. Me tornei um auxiliar de líder de célular, ou Timóteo – Como apelidamos essas pessoas. Contudo, não era isso que eu queria, nunca foi. Tinha aqueles negócios de jejuar, ler a Bíblia e orar, eu não fazia nada disso… Eu só gostava de cantar… Amava cantar. E inclusive cantei na igreja já.
O tempo foi passando, e eu fui “esfriando na fé”, como eles dizem aqui, e até o momento em que todos perceberam que eu não queria mais ficar. Então, minha mãe disse pra mim que eu não queria ficar por que eu era gay (Claro! Ela não disse dessa maneira. Mas quis disse isso). Depois, ela disse que a culpa era minha, e que se eu quisse mudar era só eu querer… Enfim! Depois, veio a minha tia de uma forma mais delicada e disse a mesma coisa, só que me tratou melhor! Como senão bastasse, o pastor veio falar comigo e foi mais uma forma de machucar…
Pra mim as igrejas só deveriam palpitar caso algo as afetasse. A questão da lei PLC 22 é que veta a Igreja – Pelo que eu entendi – É isso que eles reclama. Modifica isso e deixa o resto e tá pronto. È necessário que o Brasil tenha uma leia que proteja os homossexuais.
* Desculpa, começei o comentário tão cheio de energia, mas me exaltei, devido a quantidade de informações que eu tenho sobre a minha história. Fora isso, estou um pouco cansado… Perdão. Queria participar de uma forma mais clara. Mas, pelo menos hoje, não.
Olá querido aimebr!
Obrigado pela sua participação.
A verdade é, que assim como você, a maioria das crianças são levadas por seus pais para alguma religião antes mesmo que possam ter discernimento suficiente para saberem se é aquilo mesmo que elas querem seguir.
As famílias acham que estão fazendo o certo, mas podem estar gerando um grande problema.
Você não “esfriou na fé”, como seus familiares disseram. Você apenas abriu os olhos para uma situação que lhe foi imposta e que lhe incomodava bastante.
Seguir a sua própria vontade não é um erro, pelo contrário, acho que isso é o que todos deveriam fazer sempre.
Abração!
Olá Kiko, fiquei impressionado com a história, pois passo pela mesma situação, tenho 25 anos, nunca assumi minha homossexualidade a ninguem, sou cristão e frequento ativamente a igreja, gosto muito, nunca assumi minha homossexualidade maispor causa da minha familia e sociedade nunca me senti preparado para o titulo de “gay”, na igreja apesar de verem a homossexualidade como algo contrario a vontade de Deus, nenhum dos homossexuais, que hoje frequentam a igreja receberam algum tipo de discriminação, pelo contratario são tão aceitos, que em todo as as ocasiões, eles participam, se vc quiser pode passar meu e-mail a essa pessoa para mim seria muito bom conversar com alguem que passa pela mesma situação. e parabnes pelo site… obrigado
Olá Henrique! Colocarei vcs 2 em contato por e-mail, ok?
super bjo!
Roberto,
NENHUM messias recebeu os 10 mandamentos, mas um homem de nome Moisés. E muitos séculos antes do messias , o cristo, aparecer.
E tudo seria diferente pra satisfazer a quem?? Quem determinou a ordem social de tudo, e por que??
Quando cultivamos plantas ou criamos animais de estimação, nos encantamos e/ou também nos frustramos, dependendo da relação que mantemos com esses “seres”. Levando-se em conta o criacionismo, imagine o Criador se encantando e se frustrando com a gente! Ou mesmo “esperando” obediência… Assim como um cãozinho “respeita” o dono, heveríamos de temer (não no sentido de medo, como você talvez quisera colocar) o Criador??
Quanto a Homero, naquela época levavam-se séculos para haver registro histórico (escrito, pelo menos) de qualquer coisa, e no caso dos citados por você, me parece que foram cerca de 5 séculos. Digo isto pra te mostrar que os registros (escritos, inclusive) do messias (em minúsculo porque apenas significa “enviado”, não é nome de ninguém) apareceram no mesmo século, a apenas cerca de 30 ou 40 anos após a crucificação, portanto, comparado a outros eventos históricos, foi “noticia de última hora”.
E ainda, caro Roberto, um deus gay seria flexível em favor de quem, mesmo??
Claro que se discute religião, só que com imparcialidade. E MUITA informação.
Kiko, bom trabalho.
Olá Kiko, me chamo Kassim, tenho 22 anos. Sou gay e cristão. Você me fez lembrar de algo que Jesus disse: se estes se calarem, as próprias pedras clamarão.
Gostaria de compartilhar um pouco o que tem ocorrido comigo. Desde que me assumi para mim mesmo tenho encontrado paz. Não dá pra se viver uma vida que não é sua. Estou freqüentando uma igreja inclusiva a pouco mais de quatro meses. E posso te garantir que nunca me senti tão perto de Deus como hoje. Nunca senti Deus tão próximo e querendo estar tão perto de mim como nos dias de hoje. Gostaria de dizer ao amigo que te escreveu o desabafo que Jesus nunca disse nada claramente sobre homossexualidade, mas muito de fé, amor e esperança. Uma vez minha cunhada escreveu uma frase que me veio à mente agora: o que Deus realmente deseja é ver seus filhos felizes. O que é natural para uma pessoa, numa cultura pode não ser natural para outra. Acho natural que eu sendo homossexual me sinta atraído por uma pessoa do mesmo sexo, assim como é natural ao heterossexual sentir atração por uma pessoa do sexo oposto. Vejamos, na China se come de tudo até cachorro, aqui no Brasil isso não seria natural, mas com certeza não é errado. Pode ser polêmico mas para eles é bem aceito. Quanto ao que a Bíblia diz a respeito tenho uma sugestão, de um pregador muito famoso John Wesley: “Leia toda a Escritura no mesmo Espírito em que ela foi escrita”. Complemento com outra passagem Bíblica: “a letra mata, o espírito é o que vivifica”. Se fizermos uma leitura literalista (ao pé da letra) da Bíblia dificilmente conheceremos o amor de Deus. Mas quando buscamos Dele o entendimento do que foi escrito, considerando seu contexto histórico, e o significado das palavras empregadas pelos autores (o que elas significavam em suas épocas, visto que as palavras mudam de significado com o tempo) traremos um pouco de luz às nossas mentes, e esperança aos nossos corações, que é o que a Comunidade Crista Nova Esperança tem buscado. Não estou aqui para divulgar nome de igreja, mas para dizer que tenho conhecido e vivido com um Deus que cuida de mim. Que pensou em todos os detalhes ao me criar. Que me fez uma alma colorida e me encheu de tesouros de criatividade. Caso tenha contato com o gay cristão do qual você (meus parabéns rs) tomou as dores e mencionou a carta dele no seu blog, poderia enviar-lhe o estudo que nossa igreja tem feito a respeito da homossexualidade na Bíblia? Em resumo: Sodoma e Gomorra não foram destruídas por atos homossexuais e sim pela falta de hospitalidade aos estrangeiros e pobres, brutalidade, crueldade, orgulho entre outras atitudes de seus moradores. Note-se que as cidades já haviam sido condenadas antes mesmo do fato considerado “homossexual”. Dois escritores afirmam o que estou dizendo Isaías no cap 1º versículo 1 ao 20 de seu livro e Ezequiel 16: 48-50. Outros trechos da Bíblia são tomados à parte para justificar preconceitos como o fizeram para condenar Galileu ao dizer que a terra era redonda, justificar a escravidão, oprimir as mulheres. O apóstolo Paulo também é muito citado. Mas, uma leitura histórico-contextual e mais profunda da realidade que Paulo encontrou em seus dias traz luz: promiscuidade, prostituição, meninos sendo castrados para serem escravos sexuais e objetos de cultos a deuses com Afrodite, Cibele. Em suma, o que Paulo estava condenando é a degradação do homem, o destruir o templo do Espírito Santo (que é o nosso corpo), pois Deus habita o nosso espírito, e o nosso espírito habita este corpo chamado templo.
O próprio Paulo declara: Em Cristo, não há macho, nem fêmea, judeu ou grego, circunciso ou incircunciso, mas todos somos um em Cristo. Não há diferença. Deus não faz acepção de pessoas. “O que vem a mim, de maneira nenhuma o lançarei fora” (declarou Jesus). O que realmente faz diferença é se servimos a Deus em nosso coração. Porque Ele se agrada daquele que em qualquer tribo, língua ou nação o teme e obra o que é justo.
Querido Kiko, te peço que em Nome de Jesus, desse nome cheio de Esperança, reenvie essa resposta ao amado por Deus que desabafou contigo. Nem sempre conseguimos levantar os caídos (abatidos e desesperançados), mas estou fazendo o possível para que eles continuem tendo esperança no Deus de amor.
Grande abraço e PS: bacana seu site. Bjoka. Kassim.
Olá Kiko, eu sou Budista e li em uma entrevista sua que vc também é. Acho que por isso que nós somos mais bem resolvidos e, arrisco até dizer, mais felizes em relação a sexualidade.
O Budismo é uma religião/filosofia de tolerância, onde a homossexualidade não é condenada. O budismo só não aceita práticas sexuais que façam mal a alguém, como o adultério, o estupro, a pedofilia…Mas numa relação de amor e reciprocidade, independente se é hétero ou homo, não há objeções.
Não estou aqui para promover a filosofia budista, longe disso, pois espiritualidade é algo muito pessoal.
Só quis dar um exemplo de como a religião pode impor certos conceitos e preconceitos na mente de um ser e fazê-lo feliz ou infeliz.
Neste aspecto, o cristianismo é muito estranho, pois condena a tudo e a todos e é capaz de causar muita tristeza e separações familiares (guerras inclusives).
Fiquei muito comovido com a história detse rapaz, porque eu já tive um namorado que passava pelo mesmo problema. Enquanto aqui na minha casa todos me aceitavam, na casa dele era um verdadeiro “inferno”, pois eram todos evangélicos e ninguém o aceitava.
Acabou que ele saiu de casa para viver só e a família nem o procura (só quando precisa de grana!). Eu acho isso muito triste!
Beijos pra vc e parabéns pelo blog!