Preconceito é uma palavra tão repugnante quanto cansativa. Mais ainda para nós, gays, que temos que matar um leão por dia para sobreviver à selva da vida em uma sociedade que não nos aceita e não nos entende.
Mas o pior mesmo é quando o preconceito parte dos próprios gays. Aí eu acho inadmissível.
Eu percebo que no meio gay há um grande preconceito contra as “pintosas” , as transexuais, travestis e drag queens. É uma espécie de rejeição que o gay tem contra as características mais afeminadas de alguns, algo que só Freud mesmo explica. É uma espécie de calo cultural, preconceituoso e machista que já está enraizado na nossa sociedade e é difícil de remover até mesmo entre os gays.
Esta rejeição ao que é afeminado ultrapassa os limites do relacionamento amoroso e atinge também as relações sociais de amizade. Tem muita gente que não gosta de amizade com as pintosas, por pura vergonha e preconceito.

Eu e Natasha
E os que mais sofrem com essa questão são os transexuais, sem sombra de dúvida.
Muita gente de mente comum acha que ter amizade com trans é andar em má companhia. Lugares frequentados por elas são mal vistos e muitos gays preferem nem passar por perto. Claro que essa visão marginalizada que a maioria das pessoas tem das trans é causada pela imagem negativa das travestis que se prostituem nas ruas - que aliás, estão lá porque a sociedade não lhes dá oportunidades e as rejeita sempre. Mas é preciso saber separar o joio do trigo.
Eu, por exemplo, conheço muitas transexuais e adoro todas elas. São pessoas realmente maravilhosas e que têm muito a ensinar no que diz respeito a força e superação. São verdadeiros exemplos de vida. Inclusive, uma das personagens mais importantes do meu livro Depois de Sábado à Noite é uma transexual, chamada Pandora Del Rio, que tem feito bastante sucesso.

Eu e Roberta
Se você é gay e acha que sua vida às vezes é complicada, imagine a vida de uma trans ou de uma travesti. Imaginem o quão difícil é para uma trans ser aceita pela família, pelos amigos na escola, procurar um emprego, fazer coisas simples do dia a dia como ir a um banheiro público ou fazer compras no mercado. Aquelas que são completamente femininas passam bem por certas situações em público, mas aquelas que possuem traços masculinos aparentes precisam enfrentar uma verdadeira guerra cotidiana.
Todas as minhas amigas trans têm profissão e nenhuma delas se prostitui. São todas excelentes no que fazem e eu nunca teria vergonha de apresentá-las a ninguém. Pelo contrário, é um orgulho conhecer pessoas tão maravilhosas que ainda têm motivos para sorrir e ir à luta, mesmo quando a sociedade lhe vira as costas.

Fabianna Brazil, Bruna Marx e eu
Eu sempre digo que os homossexuais devem se unir no que diz respeito a seus interesses comuns. É claro que as diferenças de comportamento, de pensamentos, de níveis sociais e culturais, de hábitos e atitudes existem entre os gays como existem entre qualquer ser humano e a tendência natural é nos aproximarmos daqueles com quem nos identificamos mais.
Mas daí a agir de forma preconceituosa com as trans, fazer piada, “dar coió” e incitar ainda mais o ódio que já existe contra elas é o mesmo que dar um tiro no pé. Para não chamar de imbecilidade.
Se preconceito já é algo horrível, preconceito de gay contra gay, então, é algo detestável e hediondo. Por essas e outras que nossa sociedade caminha a passos de formiga e, muitas vezes, de caranguejo andando para trás…
* Todas essas pessoas que estão comigo nas fotos são trans, a quem eu dedico este post.
Arquivado em: Cultura e Comportamento Gay | Etiquetado: drag queen, gay, homossexualidade, preconceito, transexual, travesti

Que bacana, guri!
adorei as fotos e tudo mais.
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Lanço aqui palavras de apoio a algo a que também assisto no universo de meu cotidiano. Preconceito é uma ideia descabida que, gestada, dá à luz abortivamente a uma série de intolerâncias.
Como disse, pior ainda quando a coisa em si parte daqueles que costumeiramente são alvos do próprio preconceito, nós, os gays.
Fica, portanto, a reflexão no teor de todo o artigo. Definitivamente, é hora de repensar e acolher. Diz a oração de Chico de Assis, “é dando que se recebe”. De fato. Respeito parte daí quando se o quer também…
Gostei daqui! Abraço!
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